...o funcionário público e os dias contados...Uma greve defensiva
por Medeiros Ferreira
Ontem foi dia de greve geral da Função Pública. O nome pode levar ao engano. A Função Pública está a defender-se, não está na ofensiva. Os seus efectivos, e os seus salários, estão estagnados. Há dez anos o Estado liberal queria despedir milhares de funcionários para libertar mão-de-obra relativamente qualificada para a fornecer ao sector privado, pouco disposto a perder tempo com formações. Está no programa do governo Durão Barroso. Como quase tudo o que vinha naquele programa, metade ficou no tinteiro.
Depois tornou-se imperioso cortar na despesa primária e os olhares voltaram-se de novo para a Função Pública, tida por gigantona e despesista. Levantou-se um clamor generalizado contra os funcionários. Neste caso ninguém fez comparações com os países de eleição. Os escandinavos têm o triplo de efectivos. Portugal está muito abaixo da média europeia. Tudo em percentagem da população. *****
Que interessa? Sempre que há fogo de contenção atira-se para cima da barricada dos amanuenses, fora em alguns anos eleitorais. Há milhares de burocratas da OCDE, do FMI e de Bruxelas que só sabem propor cortes nos salários dos trabalhadores do Estado. Muitos deviam ser enviados para os seus países de origem. Para aprenderem a saber cortar noutras rubricas orçamentais.
*****o sublinhado é meu
transcrito, com a devida vénia, de Correio da Manhã, 05/03/2010
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