quarta-feira, 29 de setembro de 2010

À reconquista do Homem

Que se salve o Homem total


As medidas de restrição de despesas, tomadas pelo governo, vitimaram quem já se esperava e, provavelmente, já eles próprios esperavam: os funcionários públicos e os pensionistas.

Isto é: os mais fracos.

Isto é: continuam a pagar a crise aqueles que não têm culpa dela e mais têm sofrido com ela.

O grande capital, os plutocratas, as classes altas continuam a tratar da vidinha.

Isto é: a aumentar a riqueza e a recomporem-se dos abalos da crise de que são responsáveis. –à custa daqueles que roubaram.

A crise é o resultado do neocapitalismo selvagem, à rédea solta, sem regras –e da ganância.

Obviamente, é o resultado da imoralidade que assiste aos donos do mundo,

já imorais por o serem...

porque o mundo não tem que ter ‘donos’,

é um bem a partilhar justamente.

E neste mundo (isto é mundo?) agredido, aleijado, deformado, adulterado, falsificado, não há lugar para o Homem.

Este mundo é o palco dos canibais e dos flibusteiros.

O roubo passou a ser um ‘valor’ respeitado.

Onde deveríamos encontrar o Homem, reencontramos o escravo.

As soluções vergonhosas que os governos -assoldados, directa e indirectamente, pelos privilegiados do capital- promovem não levarão senão ao reforço dessa imagem monstruosa do novo escravo.

Do ex-homem.

Do homem-coisa.

Do homem-peça-de-máquina, a produzir para a barriguinha dos plutocratas, dos privilegiados, dos especuladores, dos salteadores que fumam cigarrilhas

e dos seus criados.

É urgente reconquistar o lugar do homem –reconquistar o Homem, livre, em movimento para a posse da vida digna, o Homem ético, culto, realizado.

Em suma: o HOMEM.


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