Onde começa a comédia trágica...Da Florida a Teerão
por Manuel António Pina
Em tempos mediacráticos como os nossos, aparecer num jornal ou numa TV, nem que seja pelo pior dos motivos, funciona como prova de vida e, aos poucos, fomo-nos tornando todos, indivíduos e instituições, em "emplastros".
Se quem pode (como aquele colégio privado que ainda ontem teve direito, julgo que na TVI, a longos minutos de "jornalismo sem fronteiras", designadamente publicitárias) paga para "aparecer", aos restantes resta fazer uma idiotice grande q. b., algo do género "homem que morde no cão", para que um jornal ou uma TV neles repare.
Se quem pode (como aquele colégio privado que ainda ontem teve direito, julgo que na TVI, a longos minutos de "jornalismo sem fronteiras", designadamente publicitárias) paga para "aparecer", aos restantes resta fazer uma idiotice grande q. b., algo do género "homem que morde no cão", para que um jornal ou uma TV neles repare.
Foi o que fez, com notório sucesso, o pastor de uma liliputiana igreja fundamentalista cristã da Florida, que há dias anda nas bocas do mundo por ter anunciado uma queima do Corão para 11 de Setembro.
Até Angeline Jolie descobriu que ele e a seita existem... Não sei se a queima terá patrocínios (sei lá, alguma marca cristã de isqueiros), mas o pastor Terry Jones bem pode facturar uns "rials" a Ahmadinejad, que viu, por uns dias, as atenções do Mundo desviadas do seu Islão, onde, soube-se ontem, "não há lugar para a democracia nem para os direitos humanos".
transcrito, com a devida vénia, de Jornal de Notícias, 10/09/10
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