sábado, 25 de setembro de 2010

O luminoso homem das sete partidas



'O português é o homem mais sociável deste mundo. Fraterniza em casa com quantos estrangeiros lhe apareçam, em África com o gentio, na guerra com o inimigo. Nada mais poético do que a écloga café com leite doi português em seu bungalow, baloçando-se no rocking-chair, todo branco como exige a etiqueta do sertão, cercado dos bronzes animados e gárrulas dos mulatinhos. Onde o português chega, há tertúlia; desenvolve-se a afabilidade; alarga-se o halo humano. Esta virtude ou defeito para os Gobineau, ciosos do sangue puro ariano, explica os eu nenhum exclusivismo contar quem quer que seja e a sua nenhuma antecipação rácica. Ao contrario do inglês que para toda a parte leva com o cachimbo e fato sal e pimenta a sua importante e exclusiva senhoria e os pergaminhos de celta, o português leva-se a si, simples como um elemento, pronto a todas as permeabilidades, e enaipa com quem o requer e quer. Essa expressão “é muito dado” existe apenas na nossa língua.'

Aquilino Ribeiro, in Os Avós dos Nossos Avós, Prefácio, 1942

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