Ainda mordem...Um professor, proibido de usar piercing, processou a escola onde trabalha. O que há nisso de inaceitável, incrível, ridículo, não o deveremos imputar, exclusivamente, ao ME ou aos directores do Centro Educativo onde aconteceu. A doença enraíza mais fundo e o incidente não é incrível –ilustra o atraso do país e a sobrevivência dos dinossauros, ainda por cá a poluir. No dia 23 de Abril de 1974, as professoras do secundário não podiam usar calças; hoje, anatematiza-se o piercing. E volta-me Ribeiro Sanches a queixar-se -há 200 e tal anos!- de um reino que não conseguia iluminar-se: o nosso. Tem o governo patinado em quanto diz respeito ao ensino? Sem dúvida e muito. Mas aqueles que anseiam por substituir-se-lhe reclamam a redução da intervenção do Estado, que afectaria, catastroficamente, a segurança social, a partilha justa e a educação –e a Cultura, avantesma temido e odiado pelos neo-liberais. A Suécia -governada pelo centro-direita, que perdeu a maioria- acordou, agora, com 20 deputados de um partido xenófobo a entrar no parlamento; na Itália, a extrema direita participa do governo, na Dinamarca e na Holanda condiciona o poder. Assistimos ao regresso do nazismo e do fascismo? Sim e não. É o crescer da xenofobia, a cavalo na ignorância e no medo, o alastrar do ódio ao imigrante, ao árabe ao cigano, ao negro, -atitude semeada e cultivada por nacionalistas oportunistas. O momento ajuda: as pessoas, que o liberalismo selvagem desculturou, esperneiam na crise, no desemprego, na pobreza. Obscurecimento da Cultura e morte da Ética –eis o caminho para a restauração de mais uma noite sufocante.
Publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias de 26/09/10
Carradas de razão tinha também Cardoso Pires.
ResponderEliminarUm abraço,
mário
Claroq ue foi a esse homem bom e admirável escritor, amigo estimado, que pedi o título de hoje e o... plurei... Abraços.
ResponderEliminarhomens brilhantes ,,,,,caracteristicas impresonantes
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