Chegara há poucos meses a Lisboa.
Vinha da Guarda, onde passei grande parte da minha infância e adolescência, e abri ao mundo. Acerca desses anos extraordinários, em que as sementes se lançaram, tenho escrito um pouco por toda a parte, especial e insuficientemente, nas Memórias, José Régio e Outros Escritores, e recordo a entrada na pequena academia da Guarda, a estróina, os amores, as serenatas, que sempre se ligavam a algum deles. Ouvira falar do Menano, cantara -eu cujos dotes musicais não iriam nunca além da campainha de porta...- passarinho da ribeira e Maria, se fores ao baile, na rua vizinha à Igreja de São Vicente, à espera do acender da luz no antigo e desaparecido Lar da Acção Católica, onde dormia uma rapariguinha raiana... acompanhado à guitarra e à viola não me lembra por quem e rodeado de outros, o Bidarra, o Manisco, o José Pires Sanches...
Ora no dia 22 de Outubro de 1956, meus irmãos Eurico e António, mais velhos do que eu, o benjamim, e o Domingos Manuel de Brito Mariano, nosso irmão escolhido, mais da alma que de sangue, o que é e tem sido muito mais importante, levaram-me à Tapada da Ajuda ouvir o Menano. E, citando Biografias (poderás ler no google, em António Menano), aqui deixo:
"O espectáculo estava marcado para a meia-noite, começou às duas horas da manhã e só viria a terminar de madrugada sem que ninguém tivesse arredado pé. Do Diário de Notícias de 23-10-1956 [por isso, deduzo que a serenata aconteceu a 22 de Outubro] respigamos o seguinte: "Até madrugada alta, com um céu em que a Lua e as estrelas paradas pareciam acercar-se da Terra, no sortilégio das canções de Menano ressurgiu Coimbra de há quatro décadas." Conclui dizendo: "Sem luz eléctrica nem microfones a voz de Menano, casada coma das violas e das guitarras, brindou Lisboa com uma noite inesquecivel, única. Espectáculo imprevisto e verdadeiramente sensacional..."
De quando em quando, volto a ouvir Menano e a saudade que me dói partilho-a entre a Guarda e os amigos da minha juventude, meus irmão perdidos, e, a consolar-me, lá almoço com o Mariano, para falarmos de outras coisas, tendo bem vivo o fogo da lembrança dessa noite, realmente ‘inesquecível, única’, maravilhosa.
http://www.youtube.com/watch?v=FgpSGSXDj6c
Ora no dia 22 de Outubro de 1956, meus irmãos Eurico e António, mais velhos do que eu, o benjamim, e o Domingos Manuel de Brito Mariano, nosso irmão escolhido, mais da alma que de sangue, o que é e tem sido muito mais importante, levaram-me à Tapada da Ajuda ouvir o Menano. E, citando Biografias (poderás ler no google, em António Menano), aqui deixo:
"O espectáculo estava marcado para a meia-noite, começou às duas horas da manhã e só viria a terminar de madrugada sem que ninguém tivesse arredado pé. Do Diário de Notícias de 23-10-1956 [por isso, deduzo que a serenata aconteceu a 22 de Outubro] respigamos o seguinte: "Até madrugada alta, com um céu em que a Lua e as estrelas paradas pareciam acercar-se da Terra, no sortilégio das canções de Menano ressurgiu Coimbra de há quatro décadas." Conclui dizendo: "Sem luz eléctrica nem microfones a voz de Menano, casada coma das violas e das guitarras, brindou Lisboa com uma noite inesquecivel, única. Espectáculo imprevisto e verdadeiramente sensacional..."
De quando em quando, volto a ouvir Menano e a saudade que me dói partilho-a entre a Guarda e os amigos da minha juventude, meus irmão perdidos, e, a consolar-me, lá almoço com o Mariano, para falarmos de outras coisas, tendo bem vivo o fogo da lembrança dessa noite, realmente ‘inesquecível, única’, maravilhosa.
http://www.youtube.com/watch?v=FgpSGSXDj6c
http://www.youtube.com/watch?v=hY1LlheMpi0
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