Prato ratinho dentro de um cabaz, pormenor do óleo de Malhoa, 'A Sesta'A querida amiga Redonda comentou o post em que me interrogo sobre a beleza.
O que é?
Resposta, talvez não haja.
Acontece.
Mas procuramo-la. É uma necessidade: precisamos da beleza. Todos. Com mais ou menos estudos.
A sensibilidade dispara e não tem classes.
Admirei -e interroguei-me-, diante do superior valor estético de certas obras de artesanato.
Não me tocou o pinturesco delas –entusiasmou-me a perfeição.
Sim, a beleza.
Talvez não se devam chamar de artesanato –e, no entanto, são-no, obras de artesão.
Obras de cada um, feitas uma a uma, com a marca do artista. Isso acabou e, com a sua morte, morreu muito do homem.
Âncoras, carroças, ancinhos, mochos, tarros, cadeiras, pratos...
Coisas de gente humilde ou remediada. Do quotidiano. Do usual.
Coisas úteis.
E, se não fossem tão belas, tão harmoniosas, teriam a mesma utilidade, seriam igualmente capazes de servir para o que servem?
A beleza e a criação –porque os gestos do homem, desde levantar uma casa a cozinhar umas febras, criam... Andam juntas.
Sorriem? Pensem nisso.
A beleza salvou-me do desespero e de julgar a vida absurda. Nascemos para morrer? E depois?
Não nascemos para ver a beleza? E, no instante em que ela se nos revela e a sentimos vibrar cá dentro, não ultrapassamos a precariedade da vida?
Não chegamos a algum sítio de paz e delicioso êxtase?
A beleza passa por nós, inclusive –e vai-se. Lembram-se daquela rapariguinha da saia azul rodada e da blusa branca? Lembram-se dos cabelos doirados dela e dos olhos verdes, da polpa luminosa das pernas, da harmonia dos seios das mãos em fuso... do vermelho da boca? Da sua voz, quando dizia as palavras mais banais e soava como cantar de pássaros?
Foi há tanto tempo! Mas levo-a no coração e a imagem dela expulsa o desespero.
Já ali vem outra, como ela mas única, outra vez irrepetível, outra vez maravilhosa...
Já ali está o mar... a serra... a árvore...
Resposta, talvez não haja.
Acontece.
Mas procuramo-la. É uma necessidade: precisamos da beleza. Todos. Com mais ou menos estudos.
A sensibilidade dispara e não tem classes.
Admirei -e interroguei-me-, diante do superior valor estético de certas obras de artesanato.
Não me tocou o pinturesco delas –entusiasmou-me a perfeição.
Sim, a beleza.
Talvez não se devam chamar de artesanato –e, no entanto, são-no, obras de artesão.
Obras de cada um, feitas uma a uma, com a marca do artista. Isso acabou e, com a sua morte, morreu muito do homem.
Âncoras, carroças, ancinhos, mochos, tarros, cadeiras, pratos...
Coisas de gente humilde ou remediada. Do quotidiano. Do usual.
Coisas úteis.
E, se não fossem tão belas, tão harmoniosas, teriam a mesma utilidade, seriam igualmente capazes de servir para o que servem?
A beleza e a criação –porque os gestos do homem, desde levantar uma casa a cozinhar umas febras, criam... Andam juntas.
Sorriem? Pensem nisso.
A beleza salvou-me do desespero e de julgar a vida absurda. Nascemos para morrer? E depois?
Não nascemos para ver a beleza? E, no instante em que ela se nos revela e a sentimos vibrar cá dentro, não ultrapassamos a precariedade da vida?
Não chegamos a algum sítio de paz e delicioso êxtase?
A beleza passa por nós, inclusive –e vai-se. Lembram-se daquela rapariguinha da saia azul rodada e da blusa branca? Lembram-se dos cabelos doirados dela e dos olhos verdes, da polpa luminosa das pernas, da harmonia dos seios das mãos em fuso... do vermelho da boca? Da sua voz, quando dizia as palavras mais banais e soava como cantar de pássaros?
Foi há tanto tempo! Mas levo-a no coração e a imagem dela expulsa o desespero.
Já ali vem outra, como ela mas única, outra vez irrepetível, outra vez maravilhosa...
Já ali está o mar... a serra... a árvore...
Milagres.
As nuvens, as nuvens...
E o que são as nuvens?
As nuvens, as nuvens...
E o que são as nuvens?
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