domingo, 19 de dezembro de 2010

O esplendor dos dias

'O pomar", óleo de Pierre Bonnard (1867-1947)


Sol

Não fora a terapêutica do sol
E um cavar de terra o meu pedaço
Que me prende ao cantar de um rouxinol,
Eu já tinha morrido de cansaço.

Oh! Estética feliz do sol a sol,
Na terra que removo com meu braço,
Ver as plantas crescer, ou me console
Um respirar de rosas pelo espaço!...

Há sorrisos de amor na Natureza
De um cheiro a eternidade, e de beleza,
Que eu penso-a no divino junto a mim

Mas a deusa sorrindo ao que caminha,
Ouvi dizer a uns olhos de velhinha:
“Porventura é aqui algum jardim?”

Afonso Duarte in O anjo da morte e outros poemas

5 comentários:

  1. Bela combinação entre as palavras e a imagem.
    Um abraço!!

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  2. Nunca esperei que não compreendese. Fico contente por ter ido ao seu encontro. Não queria outra coisa. No dia 10 de Fevereiro de 2011, estarei em Marvão... o que quer dizer Portalegre... Quem sabe se não vou conhecer a menina mais revolucionária do Alto Alentejo??? Se aceitar, almoçamos onde quiser!

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  3. Belo soneto, em especial os versos:

    "Um respirar de rosas pelo espaço!..."
    “Porventura é aqui algum jardim?”

    O que mais precisamos na vida é um jardim para repousar a vista e cheirar o perfume da natureza!
    Boa noite!

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  4. Não conhecia o Afonso Duarte? É um grande poeta.

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