sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O ano vai a caminho do fim...

Raul Brandão e Maria Angelina, retrato de Columbano




É... a gente pensa: tão depressa! Que importa? Se voltasse atrás... Está muito frio e, lá fora, cinzento, as árvores despidas, o mar revolto, as gaivotas em terra. O céu plúmbeo. Inverno. Tão íntimo! Ela, junto à lareira, perto da árvore de Natal, lê Camilo, fora do mundo, noutro mundo. E aqui, ao alcance dos olhos: Ela. Recordo Raul Brandão, a Casa do Alto, Maria Angelina, e, mais uma vez, descubro que a vida me trouxe a companheira sonhada. A vida!... Se voltasse atrás... E oiço o poeta d' As Ilhas Desconhecidas:



«Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões. Não me arrependo, nunca me arrependi. Perdia outras tantas horas diante do que é eterno, embebido ainda neste sonho puído. Não me habituo: não posso ver uma árvore sem espanto, e acabo desconhecendo a vida e titubeando como comecei a vida. Ignoro tudo, acho tudo esplêndido, até as coisas vulgares: extraio ternura duma pedra.»

11 comentários:

  1. "Se tivesse de recomeçar a minha vida, recomeçava-a com os mesmo erros e paixões..."
    Pois, inevitavelmente um está ligado ao outro.
    Obrigado pela visita, Manuel

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  2. Sim... Mas, duas coisas: leia Raul Brandão e esolha bem o seu companheiro de viagem! Um beijo!

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  3. Par quê arrependimentos se a vida não volta atrás?
    O que vivemos está vivido e o que não vivemos não era nosso.
    O futuro é agora.
    Isabel

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  4. O arrependimento e o remorso não dependem da nossa vontade, Isabel.

    Mas, de facto de pouco servem.

    O pouco será tentar não repetir erros -porque os repetimos, vai não vai.

    Sim, o futuro é agora.

    Abraço.

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  5. Não se pode voltar atrás porque não temos potência para tal. Por isso dizer-se que se faria doutro modo é absurdo. Cada passo, cada linha traçada, cada ir para...só o acaso dita, a ordem deixa ou o caos se instala.
    O quadro do Columbano é fabuloso!
    Abraço!

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  6. Brandão diz: "cada dia, cada hora, cada instante, eu maravilho-me com a vida". E esse é o movimento essencial; ou a bênção que as boas fadas nos deram (a alguns) ao nascer...

    O quadro de Columbano é uma obra admirável, de facto. O amor de Raul Brandão e Maria Angelina foi, também, uma bênção.

    Abraços!

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  7. Admiro Raul Brandão mas o que me marcou mais no seu comentário foi:

    "... é o movimento essencial; ou a bênção que as boas fadas nos deram (a alguns) ao nascer..."

    Às vezes as fadas adormecem.

    Feliz Natal renovado em cada dia até nascer o Menino que não nasceu na data que os homens lhe atribuíram!

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  8. As fadas nunca adormecem... São os homens gananciosos, canibais sem vergonha, que pisam bênçãos e talentos, escravizam os outros e sufocam-lhes, na raiz da alma, o tesouro que as fadas lhes confiaram.

    Os construtores da sociedade monstruosa e desumana, que nos escraviza: a criminosa sociedade neoliberal.

    Feliz Natal!

    Proteja e alargue o tesouro que eu sei que leva dentro e já tanto deu aos outros que tiveram a grande sorte de a conhecer!

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  9. Não me contradigo... Corrijo-me: as fadas deram a todos, mas nem a todos foi dada a liberdade... Ok?

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  10. Um sorriso de agradecimento!
    Abraço. ":)" (Uma linguagem gráfica dos novos tempos)

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