Raul Brandão e Maria Angelina, retrato de ColumbanoÉ... a gente pensa: tão depressa! Que importa? Se voltasse atrás... Está muito frio e, lá fora, cinzento, as árvores despidas, o mar revolto, as gaivotas em terra. O céu plúmbeo. Inverno. Tão íntimo! Ela, junto à lareira, perto da árvore de Natal, lê Camilo, fora do mundo, noutro mundo. E aqui, ao alcance dos olhos: Ela. Recordo Raul Brandão, a Casa do Alto, Maria Angelina, e, mais uma vez, descubro que a vida me trouxe a companheira sonhada. A vida!... Se voltasse atrás... E oiço o poeta d' As Ilhas Desconhecidas:
«Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões. Não me arrependo, nunca me arrependi. Perdia outras tantas horas diante do que é eterno, embebido ainda neste sonho puído. Não me habituo: não posso ver uma árvore sem espanto, e acabo desconhecendo a vida e titubeando como comecei a vida. Ignoro tudo, acho tudo esplêndido, até as coisas vulgares: extraio ternura duma pedra.»
"Se tivesse de recomeçar a minha vida, recomeçava-a com os mesmo erros e paixões..."
ResponderEliminarPois, inevitavelmente um está ligado ao outro.
Obrigado pela visita, Manuel
Sim... Mas, duas coisas: leia Raul Brandão e esolha bem o seu companheiro de viagem! Um beijo!
ResponderEliminarPar quê arrependimentos se a vida não volta atrás?
ResponderEliminarO que vivemos está vivido e o que não vivemos não era nosso.
O futuro é agora.
Isabel
O arrependimento e o remorso não dependem da nossa vontade, Isabel.
ResponderEliminarMas, de facto de pouco servem.
O pouco será tentar não repetir erros -porque os repetimos, vai não vai.
Sim, o futuro é agora.
Abraço.
Não se pode voltar atrás porque não temos potência para tal. Por isso dizer-se que se faria doutro modo é absurdo. Cada passo, cada linha traçada, cada ir para...só o acaso dita, a ordem deixa ou o caos se instala.
ResponderEliminarO quadro do Columbano é fabuloso!
Abraço!
Brandão diz: "cada dia, cada hora, cada instante, eu maravilho-me com a vida". E esse é o movimento essencial; ou a bênção que as boas fadas nos deram (a alguns) ao nascer...
ResponderEliminarO quadro de Columbano é uma obra admirável, de facto. O amor de Raul Brandão e Maria Angelina foi, também, uma bênção.
Abraços!
Admiro Raul Brandão mas o que me marcou mais no seu comentário foi:
ResponderEliminar"... é o movimento essencial; ou a bênção que as boas fadas nos deram (a alguns) ao nascer..."
Às vezes as fadas adormecem.
Feliz Natal renovado em cada dia até nascer o Menino que não nasceu na data que os homens lhe atribuíram!
As fadas nunca adormecem... São os homens gananciosos, canibais sem vergonha, que pisam bênçãos e talentos, escravizam os outros e sufocam-lhes, na raiz da alma, o tesouro que as fadas lhes confiaram.
ResponderEliminarOs construtores da sociedade monstruosa e desumana, que nos escraviza: a criminosa sociedade neoliberal.
Feliz Natal!
Proteja e alargue o tesouro que eu sei que leva dentro e já tanto deu aos outros que tiveram a grande sorte de a conhecer!
Não me contradigo... Corrijo-me: as fadas deram a todos, mas nem a todos foi dada a liberdade... Ok?
ResponderEliminarUm sorriso de agradecimento!
ResponderEliminarAbraço. ":)" (Uma linguagem gráfica dos novos tempos)
":)"
ResponderEliminarE vou aprendendo...