quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um grande escritor que desconhecemos

Aharon Appelfeld




Mão amiga fez-me chegar aquele que julgo ser o mais recente romance de Aharon Appelfeld: Et la fureur ne s’est pas encore tue”, título da tradução francesa. Um livro que nos prende, desde o início.



A primeira obra de Appelfeld que li e me apaixonou –essa em inglês- foi The immortal Bartfuss. É uma novela extraordinário, enxuta, directa, que me pareceu obra-prima, a ler e reler.



Eu tinha acabado de chegar a Israel, Telavive, era em 1996 e ali me demorei cinco anos, por razões profissionais.



Enviei The Immortal Bartfuss a editores portugueses amigos, recomendei-a, em vão.



A Civilização Editora, em 2005, publicou outro livro superior de Appelfeld: Fragmentos de uma vida.



E, que eu saiba, nunca mais o grande escritor israelita -e um dos maiores deste momento- apareceu na nossa língua.


É um buraco.


Traduzem-se e publicam-se dezenas de milhares de páginas de autores minoríssimos, dos que se vendem, com capas vistosas, nas papelarias de aeroporto...


...promovem-se nomes de quinta classe, sem nada dentro...


Inventam-se génios, que aliam a pornografia à divulgação de ideias alheias, à exibição da cultura colada com cuspo e pisada a martelo...


E Aharon Appelfeld?

A sua voz é importantíssima: é de hoje e de sempre.

Conheci-o, em Jerusalém, no final da minha missão, nos fins de 2000. É, também, uma pessoa fascinante.


Voltei a encontrá-lo, outras vezes que voltei a Israel cuja realidade me interessa e preocupa.


Às vezes, penso que, se não fosse israelita, Appelfeld já teria recebido o Prémio Nobel de Literatura, que anda tão mal empregado...


Tal qual tenho a certeza que nenhum autor palestino receberá o Nobel.


Há muito que o Nobel distingue escritores por razões políticas e o valor artístico passou a segundo plano.

1 comentário:

  1. Concordo plenamente com o último parágrafo.
    Não conhecia Appelfeld, fiquei curiosa...
    Um abraço

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