Aharon AppelfeldMão amiga fez-me chegar aquele que julgo ser o mais recente romance de Aharon Appelfeld: Et la fureur ne s’est pas encore tue”, título da tradução francesa. Um livro que nos prende, desde o início.
A primeira obra de Appelfeld que li e me apaixonou –essa em inglês- foi The immortal Bartfuss. É uma novela extraordinário, enxuta, directa, que me pareceu obra-prima, a ler e reler.
Eu tinha acabado de chegar a Israel, Telavive, era em 1996 e ali me demorei cinco anos, por razões profissionais.
Enviei The Immortal Bartfuss a editores portugueses amigos, recomendei-a, em vão.
A Civilização Editora, em 2005, publicou outro livro superior de Appelfeld: Fragmentos de uma vida.
E, que eu saiba, nunca mais o grande escritor israelita -e um dos maiores deste momento- apareceu na nossa língua.
É um buraco.
Traduzem-se e publicam-se dezenas de milhares de páginas de autores minoríssimos, dos que se vendem, com capas vistosas, nas papelarias de aeroporto...
...promovem-se nomes de quinta classe, sem nada dentro...
Inventam-se génios, que aliam a pornografia à divulgação de ideias alheias, à exibição da cultura colada com cuspo e pisada a martelo...
E Aharon Appelfeld?
A sua voz é importantíssima: é de hoje e de sempre.
Conheci-o, em Jerusalém, no final da minha missão, nos fins de 2000. É, também, uma pessoa fascinante.
Voltei a encontrá-lo, outras vezes que voltei a Israel cuja realidade me interessa e preocupa.
Às vezes, penso que, se não fosse israelita, Appelfeld já teria recebido o Prémio Nobel de Literatura, que anda tão mal empregado...
Tal qual tenho a certeza que nenhum autor palestino receberá o Nobel.
Há muito que o Nobel distingue escritores por razões políticas e o valor artístico passou a segundo plano.
Concordo plenamente com o último parágrafo.
ResponderEliminarNão conhecia Appelfeld, fiquei curiosa...
Um abraço