'O grito', óleo de Edvard MunchEra minha obrigação transcrever o excelente artigo de Manuel António Pina, aí abaixo!
As palavras de Duarte Nuno Suiço de Bragança -o regresso à monarquia resolveria a nossa desgraça...- traduzem o estado de insanidade em que vivemos.
Duarte, um imigrante helvético simpático, que voltou à pátria do trisavô, deve perdoar-se: ele não sabe o que está a dizer: segue a onda.
E a onda é a da inconsciência total e da mais descarada ascensão político-social dos vendedores da banha da cobra.
O país está à rasca; o Zé Povinho aperta todos os dias o cinto e anda aterrorizado com o dia de amanhã que TVs e jornais e semanários dizem virá a ser... o fim.
O fim de quê? Da paparoca.
A instalação da miséria e da fome.
O português sofre e dorme cheio de pesadelos, acorda com olheiras e a suar. Tem medo. Grita.
E saltam para a praça uns tantos de olho vivo, oportunistas a invocarem um louco que nos arruinou em Alcácer Quibir... ou um ex-seminarista mentalmente pelintra e ferozmente ditador, que nos deixou de rastos... O Sebastião das guitarras e dos milhares de mortos na planície marroquina, o Salazar das botas de atilhos e da boca de víbora...
Duarte Suiço não é um oportunista, não está habilitado... Dê-se-lhe o benefício da dúvida:
alguém o engrolou.
Coitado.
É sempre um gosto passar por aqui.
ResponderEliminarA culpa não é dele coitado tem mesmo ar de bem aventurado.
Um abraço,
mário
Tem razão: a culpa não é dele! Isto chegou ao ponto de rebuçado que determina a vaga de emigração: milhares e milhares de homnes crescidos e jovens qualificados a procurarem um sítio onde trabalhar e comer! É terrível!
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