O Castelo do SabugalSant’Anna Dionísio escreveu, a propósito do Castelo do Sabugal: “A fisionomia da fortaleza tem a nitidez de uma iluminura de cancioneiro ou livro de horas”. E aponta-lhe a beleza despida e a harmonia que a imponente torre de menagem coroa. Há muitos anos que eu não ia ao Sabugal: desde quando, no estrangeiro, vinha de corrida e não me sobrava tempo.
Agora, corro o país e, sempre que posso, regresso à sagrada Beira, onde cresci. Natália e Romeu Bispo, proprietários da Casa do Castelo -vizinha ao monumento, é uma espécie de centro cultural, que divulga a cidade-, amigos do coração, convidaram-me a voltar à sua terra, que amam e defendem. Revelaram-me o desconhecido: a tal fortaleza erguida por D. Dinis, em 1297. Da anterior visita ao Sabugal, lembro o almoço pantagruélico, regado com vinho de estalo, num acolhedor restaurante, frequentado apenas por bons garfos, genuíno. O que me ofereceram os meus amigos não foi de menos, enriquecido com castanhas e jeropiga.
Logo a seguir, levaram-me ao Castelo. Deslumbrante! E um lugar me impressionou e surpreendeu: o terreiro interior, espaçoso, elegante. Ali, o eco repete as palavras, prova de excelente acústica. Surpreendeu-me saber que pouco o aproveitam para iniciativas artísticas. Aquilo é um anfiteatro grego! Qual a razão do abandono? Tem, aliás, o necessário: palco, bancadas e camarins. Alguma vez o usaram, mas parece que baixaram os braços. Imaginei um ciclo de espectáculos: teatro, cinema, música. Coisa de relançar o Sabugal e atrair gente. Nada tem de impossível, tudo tem de conveniente. É um tesouro a não ignorar. Fico à espera –e serei o primeiro a querer bilhete.
Ou aquela Câmara Municipal despreza a Cultura?
Publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias de 05/12/10
Em tempos, o Castelo do Sabugal foi usado para espectáculos musicais no âmbito das festas de S. João, sem fins lucrativos, onde chegaram a tocar os Trovante, cujo vocalista era Luis Represas. Os autores da ideia de aproveitarem esse "anfiteatro grego", um dos quais o meu pai, foram, na época, muito criticados. Diziam as vozes do contra que o som causaria danos à infraestrutura. Como vê, não foi o primeiro a dar-se conta do potencial do castelo, mas as gentes da terra, tal como sabem preservar o património, também são muitas vezes as primeiras a colocar entraves ao empreendedorismo, mesmo que por valores altruistas.
ResponderEliminarVeja-se o que está a acontecer em Sortelha, onde a paisagem, património de todos, está à mercê da ganância de pessoas sem escrúpulos, naturais da freguesia.
Os castelos são lugares únicos com uma atmosfera inagualável. Nos castelos podemos ouvir o silêncio, vislumbrar o horizonte até perder de vista. Podemos imaginar os duelos, os gritos de guerra, a estratégia dos vencedores.
ResponderEliminarO Sabugal é uma terra muito bonita. O castelo é intemporal e ergue-se imponente. Em Portugal há castelos lindos, peço desculpa aos sabugalenses mas há um castelo com quem tenho uma afinidade enorme porque foi a minha sala durante um ano - é o castelo de Marvão.
Gostei muito deste post trouxe-me boas lembranças.
Kel, disse muito bem. Mas como reagir a um tempo em que a Cultura é um perigo? Em que uma pessoa culta é uma pessoa perigosa? Porquê? "Porque não aceita ser "formatada", peça da máquina neoliberal e selvagem? A resposta é dizer NÂO, todos os dias dizer NÂO, e desbancar os ladrões, os vigaristas e os criados deles que tomaram conta de câmaras e ministérios & etc. É possível. Obama diz: "o optimismo é uma atitude revolucionária". Sejamos optimistas e deitemos abaixo o anlafabeto!
ResponderEliminarAna, compreendo a sua paixão pelo castelo de Marvão.
ResponderEliminarNão encontro a reportagem no jornal de notícias online
ResponderEliminarAmigo anónimo:
ResponderEliminarMas está na edição impressa...
Será de facto possível? A decepção é tanta, a frustração e a revolta, que fizeram de mim uma pessoa incrédula.
ResponderEliminarJá aqui referi o meu pai, ele foi um desses revolucionários, lutou pelo concelho do Sabugal com verdadeiro suor e lágrimas, tentou modernizá-lo e em troca recebeu apenas ingratidão. Foi no mandato em que esteve na Câmara como vice-presidente que se revitalizou Sortelha, recuperaram-se as casas desabitadas que ruiam a olhos vistos, construiu-se a central de camionagem para que as pessoas das aldeias, idosos e estudantes, não esperassem à chuva, construiu-se o mercado para que clientes e vendedores não morressem de frio ao ar livre nos Invernos rigorosos que o Sabugal tem, fez-se a praia fluvial, o campo de futebol, apenas para enumerar as grandes obras! E isto tudo num único mandato, porque as pessoas do Sabugal acharam que era pouco em 4 anos, acharam que alguém de fora poderia fazer mais pelo Sabugal. Enganaram-se. Isso tem apenas um nome, ingratidão.
A minha incredulidade perante os portugueses, mas do que por Portugal, transbordou pelas costuras e resolvi rumar a outras paragens.
Raquel Bragança
Depois de tanta procura heis que encontro o seu artigo aqui sem ser no jornal... pois já que foi um dos protagonistas dessa viajem ate ao castelo...e como assim é...fica bem comentar alguma coisa ...embora não seja muito bom nas palavras...fica sempre a ideia que passei por cá.
ResponderEliminarass: Daniel