segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A bolha





O divórcio entre os homens que se dedicaram à política como profissão e os homens que vivem na vida real –cresce, galopantemente.

E a inconsciência social dos políticos é uma realidade desgraçada.


O que leva a pensar que não os move nenhum ideal, mas, apenas, a ambição...


Meu Deus!, devo escrevê-lo?...,


que apenas os move a ambição profissional: o desejo de subir no emprego.


Porque a política é, para eles, um emprego: tal qual o de bancário, funcionário de empresa ou médico de hospital privado, administrador de empresa, etc., etc.


O político não serve os interesses do Estado –de nós todos, que somos o Estado;
serve os interesses dos poderes económicos que se instalaram na sociedade em que vivemos e nos exploram e comandam.


Mas a sociedade evolui, com e contra esses poderes e reage à crise e aos problemas gravíssimos que a afligem.


Os políticos não dão por isso –ou não querem dar.


Esqueceram-se, ou querem esquecer-se, de que a sociedade existe, não é um mar coalhado: é uma realidade em movimento, capaz de contestar, mudar aquilo que a sufoca e sacrifica, capaz de se levantar e transformar a rede desumana em que a estrefegam.


No último número do Le nouvel observateur, Jean-Claude Guillebaud publicou um artigo muito importante, intitulado: “Silêncio para os pobres”. E transcrevo estas palavras:


“As personagens do debate político dito “razoável” lembram-me as figuras dos desenhos animados que continuam a jogar ao boxe, sem repararem que estão à beira do abismo.
Quando explicam que as crises recentes do neoliberalismo correspondem ao rebentar de bolhas financeiras, imobiliárias, agrícolas ou energéticas, que não soubemos evitar, esquecem a mais preocupante de todas: a “bolha social”.


Ora essa “bolha social”, que também cresce a galope, é o nó do problema do dia de hoje: dia 13 de Dezembro de 2010.


E continuará a ser o problema gravíssimo que amanhã e depois de amanhã ainda será mais dramático e, pelos dias adiante, sempre mais dramático –e que, enquanto a política for um lugar à parte, privilegiado e habitado por alienados da realidade, não se resolverá


e se irá transformando numa tragédia de consequências imprevisíveis.


Na minha terra diz-se “ninguém se meta com um homem perdido!”

3 comentários:

  1. Fantástica a imagem e a mensagem deste post.
    Abraço!

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  2. A imagem não fui eu quem a criou. Às voltas, a procurar uma ilustração para o texto, encontrei-a e "pedi-a emprestada". Quanto ao que aqui digo, isso sim, é meu e é o que eu penso e o que me preocupa. Fico contente por ter reconhecido o drama que vivemos. Um abraço!

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