'Amantes ao luar', óleo de Marc ChagalAmérico Rodrigues publicou, no seu Café Mondego, um post encantador, sobre um rapaz e uma rapariga apaixonados e, certamente, pobres como o pobre do português comum... Tanto me tocou o texto que fui buscar esta bela poesia do poeta que soube falar dessas coisas como ninguém:
Os Amantes Sem Dinheiro
Tinham o rosto aberto a quem passava.
tinham legendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados,
e olhos românticos
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos,
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Eugénio de Andrade in Os amantes sem dinheiro
Tinham o rosto aberto a quem passava.
tinham legendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados,
e olhos românticos
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos,
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Eugénio de Andrade in Os amantes sem dinheiro
Quantos amantes não se revêm em tão bela poesia?!?
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