sábado, 30 de abril de 2011

O bem em cada um

Um homem



Ainda que não seja da minha responsabilidade, uma vez que não sou católico...


a polémica por causa da beatificação de João Paulo II, traz-me aqui.


Há, nesse pequenino burburinho, qualquer coisa de futebolístico:


eu sou do Benfica, tu és do Porto, santa era a minha avó, não era a tua.


E a avó dele -diz ele- curou-o de feridas mais vezes do que a minha me curou a mim...


Uma fez mais milagres do que a outra. Uma pôs mais nercuriocromo do que a outra.


Não me lembro de onde li a seguinte frase:


“O que importa é AQUILO QUE TU PODIAS TER FEITO”.


O que estava dentro de ti.


Aquele que tu, realmente, eras.


O acaso e a necessidade propiciaram-me o encontro com João Paulo II, na Igreja dos Portugueses, em Roma.


Eu, entre o público anónimo, ele a celebrar a missa.


Eu, por profissão que me obrigava a estar ali, e por uma imensa curiosidade (o Outro, seja ele qual for, interessou-me, sempre).


Ele, com a sua fé.


E a imagem que eu guardo é a de um Homem com muitas coisas dentro de si.


E um Homem -expressão tão cara a Unamuno- raras vezes, raríssimas, se encontra.

4 comentários:

  1. Concordo!
    Também eu vi esse rosto, não como católica...mas como observadora. Uma observadora em silêncio....

    Um abraço

    Blue

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  2. Mas era uma cara de gente.

    E quantas dessas há hoje?

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  3. sim.

    o seu rosto expressava estarmos na presença de um homem autêntico, que não queria estar acima dos outros homens.

    talvez isso tenha feito toda a diferença, Manuel.

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  4. Luis,

    Era um homem que se apresentava. Nem acima, nem abaixo. Não tinha o miserabilismo falso dos curas militantes da Igreja a que se agarraram. Era o que era. Mas era um Homem.

    Prtesumo que o Luis seja católico. Então digo-lhe:

    Cristo sabia que, por desgraça dele, estava acima de muitos outros.

    E isso afligia-o.

    Ia ao encontro deles, com a sua infinita bondade, ainda mais, com a vontade de que os outros não arrastassem a vida na ignorância do que vale.

    A presença do absoluto em cada instante.

    Se me lê, terá presente o seguinte:

    Cristo mandou dizer que estava vivo, por Maria Magdalena.

    Uma mulher que tinha amado muito.

    Porque se ama e depois, há o mistério.

    Que apaixona.

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