
Arthur Rimbaud, em 1880 (?)Esta fotografia de Arthur Rimbaud, datada de 1880 e que dois livreiros parisienses, Jacques Desse e Alban Caussé, encontraram, mostra-nos o poeta sentado na varanda do Hotel Univers, em Aden, Abissínia.
Rimbaud tinha 26 anos e há muito que abandonara a poesia.
Yves Bonnefoy, num excelente ensaio sobre o autor de Une saison enfer (Rimbaud, écrivains de toujours, Éditions du Seuil), escreve : ‘Rimbaud cesse d’écrire dès que la fin de l’enfance, plus contraignante que toute décision intelectuelle, le prive de l’espoir de changer la vie’.
O fim da infância? Talvez seja mais certo dizer: o fim da adolescência.
Rimbaud escreve os primeiros versos que revelam a sua genialidade aos 16 anos e aos 17 já assina o fabuloso Le Bateau Ivre e começa a apaixonada e brutal relação com Verlaine.
Em 1875, com 21 anos, cessa de criar.
É óbvio que a sua Saison en Enfer a viveu até à juventude. Mas será óbvio? Aquilo que veio depois e até à morte, inglória, anónima, miserável, num Hospital de Marselha, em 1891; quando comerceia e se quer rico, prático, pragmático –não continua a sua estadia no Inferno?
O que ele descobre, aos 21 anos, é que, ao perder a infância/adolescência, perdeu a esperança no valor e no poder da poesia.
A curta vida de Rimbaud deu muitas voltas e ele afrontou-a de peito aberto; arriscou; ofereceu-se; deu-se todo.
Não salvou a criança, dentro de si? Desesperou e quis destruí-la? Humilhá-la? Espezinhá-la? Não perdoou à poesia que não se transformasse em beleza concreta e transformasse em beleza a realidade apoética, cruel, mesquinha?
Castigou a poesia, rebaixando-se, destruindo o próprio ideal?
Rimbaud tinha 26 anos e há muito que abandonara a poesia.
Yves Bonnefoy, num excelente ensaio sobre o autor de Une saison enfer (Rimbaud, écrivains de toujours, Éditions du Seuil), escreve : ‘Rimbaud cesse d’écrire dès que la fin de l’enfance, plus contraignante que toute décision intelectuelle, le prive de l’espoir de changer la vie’.
O fim da infância? Talvez seja mais certo dizer: o fim da adolescência.
Rimbaud escreve os primeiros versos que revelam a sua genialidade aos 16 anos e aos 17 já assina o fabuloso Le Bateau Ivre e começa a apaixonada e brutal relação com Verlaine.
Em 1875, com 21 anos, cessa de criar.
É óbvio que a sua Saison en Enfer a viveu até à juventude. Mas será óbvio? Aquilo que veio depois e até à morte, inglória, anónima, miserável, num Hospital de Marselha, em 1891; quando comerceia e se quer rico, prático, pragmático –não continua a sua estadia no Inferno?
O que ele descobre, aos 21 anos, é que, ao perder a infância/adolescência, perdeu a esperança no valor e no poder da poesia.
A curta vida de Rimbaud deu muitas voltas e ele afrontou-a de peito aberto; arriscou; ofereceu-se; deu-se todo.
Não salvou a criança, dentro de si? Desesperou e quis destruí-la? Humilhá-la? Espezinhá-la? Não perdoou à poesia que não se transformasse em beleza concreta e transformasse em beleza a realidade apoética, cruel, mesquinha?
Castigou a poesia, rebaixando-se, destruindo o próprio ideal?
Post muito interessante! Pobre Rimbaud, pobre Verlaine! Felizes nós que os lemos e não vivemos "aquele inferno", não É?
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