segunda-feira, 19 de abril de 2010

Vale a pena ler: ajuda a não ter ilusões com os rostos sempre iguais e só na aparência diferentes (no penteado?) do PSD neo-liberalista ...

"O novo líder do PSD pouco entenderá de ideologia e de doutrina. Mas aprendeu que o País deve ser governado como um conglomerado de empresas. Sabe tudo o que vem na nova cartilha neoliberal..."



Ao fim e ao cabo

por Manuel Catarino


"O Pedro"O novo líder do PSD (...) aprendeu que o País deve ser governado como um conglomerado de empresas.

Convém-nos a todos que os líderes políticos aprendam na doutrina e na ideologia. Passos Coelho, um exemplo de persistência, determinação e teimosia, é uma ousada criação de Ângelo Correia – o influente barão do PSD que a partir de meados dos anos 80, precisamente com a chegada de Cavaco Silva ao poder e a desvalorização dos princípios doutrinários do partido, iniciou uma fulgurante e próspera actividade empresarial.

O mestre – e patrão até há duas semanas – nem cai na tentação de negar o carácter de criador. Até insiste, de todas as vezes que é chamado a atestar publicamente as competências da sua criatura, naquele tom afectuoso – "O Pedro" – sem disfarçar o enlevo que um pai extremoso costuma dispensar com incontido orgulho ao filho obediente e aplicado.

O novo líder do PSD pouco entenderá de ideologia e de doutrina. Mas aprendeu que o País deve ser governado como um conglomerado de empresas. Sabe tudo o que vem na nova cartilha neoliberal – cujo princípio fundamental defende uma certa eugenia social. Os mais fracos, os mais pobres, os mais desfavorecidos que façam pela vida: não merecem que o conselho de administração gaste com eles um miserável cêntimo.
Passos Coelho, excelente aluno desta prática política, ao reclamar uma "sociedade mais livre" quer dizer que o Estado – como regulador essencial e com o dever de garantir a todos as mesmas oportunidades – é um problema, um empecilho, uma aberração dos nossos tempos. Causam--lhe arrepios, por exemplo, conquistas – conquistas, sim! – como o Serviço Nacional de Saúde. Portugueses sem dinheiro nem seguros não valem que o conselho de administração se preocupe com eles.
Manter os hospitais ao alcance de todos, sem que à porta se exija aos doentes a garantia de pagamento da conta, é um luxo intolerável. Barack Obama, que acaba de alargar a assistência médica aos excluídos, é um perigoso social-democrata a evitar.
Não terá sido este neoliberalismo selvagem a motivar o comentário azedo de Manuela Ferreira Leite: "Passos Coelho é um Sócrates de segunda" – disse.

Acontece que a doutora Ferreira Leite importa-se menos com a política e mais com as origens e a inspiração do recém-eleito presidente do partido. Mas isso é um problema dela e do engenheiro Ângelo Correia.

transcrito, com a devida vénia, do Correio da Manhã de hoje

1 comentário:

  1. É mais do mesmo, já sabia mas o Manuel Catarino sesenrola muito bem este novelo neste artigo.
    João Freitas Casaca

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