quinta-feira, 7 de abril de 2011

Umberto Saba







Folha


Eu sou como aquela folha –olha-

no ramo nu, que um prodígio demora

a cair.


Diz-me que não. Que isto não impede de sorrir

a bela idade que de ânsia te colora,

e a mim em rasgos infantis o tempo não desfolha.


Diz-me tu adeus, que não consigo fazê-lo.

Morrer não é nada; perder-te é que é difícil.


in Umberto Saba, Poesia, Assírio & Alvim, 2010

tradução de José Manuel de Vasconcelos

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