domingo, 21 de novembro de 2010

811º aniversário da Guarda

Capela do Mileu, século XI



A Guarda faz 811 anos no próximo sábado, 27.

Lá estarei.

Era o que faltava que faltasse!

Cresci no "sagrado monte" (Augusto Gil dixit): em todos os sentidos: desde o Professor Roxo ao Professor Rabaça e ao "Rocha", o Colégio, onde fui aluno externo e aprendi que bastasse até à Universidade (melhor: para além da Universidade).

E, com a Libânia e as suas bailarinas, aprendi que o amor é um bem de Deus.

Ensinaram-me muito para além de todas as universidades: ainda hoje consulto o manual.

Porque as coisas divinas...

Adiante.

Ilustro esta memória, de lágrima mesmo ao canto do olho e o nó no gorgomilo, com a imagem da Capela do Mileu.

Ia eu de romagem a essa capelinha onde, creio, o meu querido e saudoso Padre Pôpo disse missa -o bom homem, que também era Padre, e me aconselhou os grandes escritores, na Biblioteca Municipal, que dirigia: o Tolstoi, o Dostoievski, o Raul Brandão... o Nobre...

Ela já não é a mesma: tiraram-lhe o sol!

Alguma vez alguém, algum "poder", algum Presidente da Câmara a libertará das garras dos patos bravos, que a macularam?

Alguma vez alguém afastará a infâmia da gasolina?

Pobre capelinha!, a sorte dela é não ser asmática!

E, daí, quem sabe?

4 comentários:

  1. Gostei deste post. Já não vou à Guarda há uns anitos. Se calhar, ficarei surpreendida, será que pode mostrar como é que tiraram o sol à capelinha? Presumo que fizeram uma série de "caixas"!!!

    Felicito-o pela evocação e pelas memórias.
    Boa tarde!

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  2. O infantário que a minha filha frequenta fez um magusto junto a esta capela pelo S. Martinho. E os miudos gostaram.
    A capela lá continua...
    Helena

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  3. Helena: dê um beijo por mim a sua filha e diga-lhe para defender tudo o que ainda é... humano!Na minha infância/ adolescência, eu ia muitas vezes até à capelinha... Agora, quando passo perto, aperta-se-me o coração...

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  4. Ana, desculpe só agora lhe responder.

    A Guarda continua a ser uma cidade especial, muito forte. Não é espectacular: é profunda. Creio que só a sentimos quando a deixamos entrar dentro, a interiorizamos –e então o seu mistério vibra dentro de nós.

    Não tenho meio de lhe mostrar o crime do Mileu. Sim: sufocaram a capelinha com caixas e estradas e... uma gasolineira: uma estação de serviço.

    Quando lá vou, fico sempre na Residencial Santos (há mais de 50 anos, o meu poiso...) e, da janela do meu quarto, vejo a Sé, que é mesmo em frente... a fabulosa Sé, linda, linda, linda e, também, nobre, com os pés bem assentes na terra e a tal espiritualidade que arrebata...

    Foi lá que fiz a minha primeira comunhão... E foi na Guarda que se desenvolveu, em mim, o sentido religioso... eu que não sou de nenhuma religião...

    Um beijo.

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