
A Pietà Rondanini, exposta no Castello Sforzesco, em Milão, foi talvez a última obra de Michelangelo (1474-1564), que a deixou inacabada e a trabalhou desde 1555 até ao fim da vida.
Se fizermos as contas, dos 80 aos 90 anos.
Há quem identifique Michelangelo no rosto do Cristo que a virgem sustém e julgue perceber martírio e aceitação. Conhecimento?
Seja qual for, é a mensagem que deixa –e tão difícil de comunicar que o artista não chegou a acabar a escultura, nem à sua completa evidência.
E, no entanto, das pietà de Michelangelo, guardadas em Roma e Florença, não é nem a menos bela nem a menos impressionante.
Tem a força e a persuasão do grito do homem, diante da morte que se aproxima, e a querer dizer as feridas, as dúvidas e as incertezas que a vida lhe rasgou na alma.
Está lá tudo: a vida agitada, excessiva, ansiosa, de um homem apaixonado, complexo e irredutível ao convencionado.
E, também, o extraordinário da busca sem fim e insaciável da resposta ao mistério, através da expressão artística.
Rodin admirou, certamente, a Rondanini e aprendeu.
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