quarta-feira, 3 de novembro de 2010

No momento das escolhas

Já chega de ser roubado!


Como já sabes, não voto à direita nem sou conservador. Não sou anarquista (isso queriam eles, rotulavam-me e continuavam, a abandalhar a relação humana...): sou socialista.

Não sou socialista marxista.

Sou socialista humanista.

Sou, também, um homem religioso.

Acredito na força da vida e mesmo que nunca venha a saber qual a mola que a impele e a leva a vencer a morte,

amo-a:

a vida.

E este arrazoado, para chegar ao seguinte:

O governo conservador/ liberal inglês vai aplicar duras medidas financeiras para resolver a crise provocada por uma finança ultra liberal e, necessariamente, direitista e conservadora dos privilégios da classe de oiro: a que tem dinheiro e, quando mete a mão ao bolso, não encontra cinco euros, encontra o extracto bancário que lhe garante milhões de euros.

E vai pedir -esse governo de Cameron-, SOBRETUDO, aos mais fracos que recomponham o sistema financeiro que lhes permitiu roubar, gastar à vontade e...

provocar a crise.
Mas...
Cameron e o seu governo preservaram, defenderam

as estruturas do ensino e da saúde.

Os serviços de saúde e os serviços do ensino.

A Saúde e o Ensino.
Aprecio –com reserva, está claro: há muito resto que não vem agora à colação.
Porque aqui, inventou a ministra do chá das cinco, a da Educação, mais um modo de trazer dinheiro ao governo:

obrigar professores, eventualmente em falta (depois, vai-se a ver e, graças aos cherloques do ME que labutam para salvarem os lugares, estão, certamente, em falta...), decidiu a ministra chá de tília forçar professores, ‘indevidamente’ (dizem-lhe e ela aceita, enquanto morde a bolacha e prova o chá) promovidos, a devolverem o dinheiro ganho com o suor do seu rosto

que já gastaram e já não têm dinheiro para devolver,

tal qual o português comum que descobriu que o mês tem 60 dias.

E, no famigerado e, no entanto, estimado OE -até Ferreira Leite, a nossa Padeira de Aljubarrota, o trata com ternura-, aprovado, a rosnar baixinho, por Coelho, em breve, aposto!, sem toca, o Passos, nessa peça discutida e que iremos gramar, o ME leva um corte de mais de 12%.

O maior de todos.

A saúde... é logo a seguir...

Não é preciso dizer que são pilares de uma sociedade limpa: a Saúde e a Educação.

Tu sabes.

Nos hospitais civis, contratam-se médicos, a ganharem mais que os directores do serviço; importam-se médicos & etc.

Os nossos médicos ou se acoitam no privado-privado ou emigram (a título de curiosidade: em Inglaterra, há 700 dentistas portugueses).

Compram-se e instalam-se aparelhos nos hospitais, mas não há lá médicos suficientes.

Por exemplo: no Hospital de Portalegre, há um aparelho para fazer o famoso TAC, aparelho que só trabalha uma vez por semana –no o dia em que lá aparece o técnico capaz de o pôr a funcionar.

Certas farmácias recusam o cartão da ADSE (diz, hoje, o Público); milhões de pessoas estão desprotegidas e não têm dinheiro para se tratarem; a preserva privatização da saúde avança, a passos largos (aí, a culpa não é do Coelho).

Pois parece que não é um luxo a despudorada vida que levam os senhores do dinheiro –e é um luxo continuar vivo o homem que não tem nada, ou que roubaram, ou que não tem trabalho e não pode lutar por ele, porque já está a mais e há escravos que bastem ou desequilibraria as contas e encurtaria os ganhos dos canibais: os empregadores.
Porque lhe recusam o direito ao trabalho.
Não irei votar conservador. Não votaria conservador, em Inglaterra. Não votaria conservador, em parte nenhuma.

Não quero o mundo conservado, quero o mundo em movimento.
Mas recuso esta sociedade de pilha-galhinhas; recuso esta sociedade dos novos escravos; recuso-me a consentir no roubo quotidiano.
Recuso meias tintas; recuso terceiras, quartas, sextas vias socialistas – quero um partido socialista, capaz e decidido a implantar e defender um Estado Social.

Um Estado onde bom dia queira dizer bom dia, quando os homens o disserem.

Um Estado em que cada homem tenha a mesma oportunidade do outro homem.

Um Estado em que cada homem possa ser tal qual é e desenvolver as suas qualidades

e afirmar, livre das escravaturas, a sua maneira de ser,

a sua personalidade.

Recuso a ambiguidade; recuso os milhafres; recuso a desumanidade.

Recuso que a minoria coma a carne da maioria.

Não chegou o tempo dos homens providenciais,os Sidónio, os Salazar.

Já esqueceram a pobreza portuguesa, antes do 25 de Abril?, a libertação que lhes foi oferecida de mão beijada?,

já o esqueceram esses que tanto reclamam um passado de miséria, sem saberem o que reclamam, porque não lhes disseram, e foi durante os dez desgraçados anos de Cavaco primeiro ministro, e correram com ele, e bem!, e hoje querem-no?,

já esqueceram que foi durante o tempo idiota das mais duas horas -para acompanhar os da UE que ressonavam- em que as crianças iam para a escola, geladinhas, ao lusco-fusco, antes das galinhas acordarem, e o desgraçado do escravo ia para o trabalho, sem se lavarem, sem darem aos familiares a saudação, a correr contra o vento gelado ou contra o horário do combóio/ caminoneta, ou perdidos no meio do tráfico à espera da manhã para ver se viam alguma coisa que se visse, durante esse tempo sem graça nenhuma, por termos um chefe com o cérebro do tamanho de um amendoim,

que foi durante esse decénio patêgo que se retirou do ensino secundário a educação cívica, que a ignorância dos direitos e obrigações cívicas de cada um voltou a ser o que era na cartilha de um fascismo safado e abençoado pelos tubarões? Já esqueceram isso e vão reeleger o homem de Boliqueime, só democrata porque estamos na EU e convém ser?

Já esqueceram?

Dessa canalha, Al Capones com botas de elástico ou a babarem-se –estamos servidos.

Chegou o tempo de nos recuperarmos, de nos refazermos –de sermos o homem português, que somos.

Corajoso, generoso, bom e amigo.

Desejoso de viver como lhe é devido e de ajudar a viver o amigo ao lado.

Sem comentários:

Enviar um comentário