José Sócrates e Passos Coelho planeiam o nosso futuro...Do acordo entre o governo PS e o maior partido da oposição, PSD, resulta:
-o governo tendencialmente neo-liberal e nominalmente socialista ouviu e decidiu, em sintonia com um partido alcunhado de social-democrata e abertamente neo-liberal, reformas fiscais que penalizam a classe média baixa e as que se lhe seguem e cuja definição roça, demasiado frequentemente, o limiar da pobreza,
-desse acordo decorre que a crise em curso será paga pelos mais desfavorecidos,
-decorre que a banca e os grandes grupos económicos, as classes altas, em suma, o capital, pouco ou nada contribuirão para a recuperação da nossa economia e o reequilíbrio do nosso défice,
-decorre que os contribuintes perderão largamente o poder de compra e o consumo baixará –entrará numa espécie de letargo ou congelação, com as consequências que todos adivinhamos e é escusado detalhar,
-decorre que o crescimento, a haver e na melhor das hipóteses, saltitará do 0,0 ao 0,1 ou, ó milagre!, 0,1,1.
-decorre que o crescimento, a haver e na melhor das hipóteses, saltitará do 0,0 ao 0,1 ou, ó milagre!, 0,1,1.
Desse acordo decorre, também, e não é de menos importância que o governo ignorou ou não esteve para se dar ao trabalho de ouvir, dois partidos que representam, na Assembleia da República, uma importante fatia das classes mais atingidas: o PCP e o BE,
contrariando uma ideologia de esquerda que supostamente compartilha.
Não deveria o governo trazer à colação e levar em conta os referidos partidos?
Ou o governo nominalmente socialista de socialista não tem nada ou não quer ter nada?
Prudentemente, o CDS-PP recusou a política governamental e marimbou-se para os encontros entre Sócrates e Passos Coelho: o CDS-PP vai receber os votos que um PSD esvaziado já começou a perder –o CDS-PP vai crescer e atrair a direita com ideologia consequente: com valores morais e sociais, sejam eles quais forem.
Por mais que o PSD e Passos Coelho apareçam, agora, a pedir desculpa de terem tido por conversado o PS (e esse gesto vai além do caricato denunciado por Camilo, na figura de Calisto Elói, e por Eça em toda a Campanha Alegre), por mais que Cavaco diga que não é nada com ele –a cama está feita: Sócrates tornou o PSD coisa desnecessária.
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