terça-feira, 25 de maio de 2010

A casa abatida

E como é que vamos sair do terramoto?


A sociedade em que vivemos, aqui e agora, parece presa por alfinetes.

Paulo Ferreira, cujo pertinente artigo no Jornal de Notícias de hoje transcrevi, fala certo: o futuro do governo está ameaçado.

Mas não é só o futuro do governo: é o nosso futuro.

Há anos que se faz campanha nesse sentido.

Como?

Desacreditando tudo e todos: governos, políticos, magistrados, professores, médicos, autoridades.

Sem propor nenhuma alternativa.

Vivemos numa espécie de terrorismo quotidiano da opinião e da informação destorcidas.

O governo colaborou, parcialmente, nisso?

Colaborou. Por exemplo: o modo como tratou o funcionalismo público -na obsessão de diminuir a máquina do Estado (e está a pagar já essa redução de efectivos)-, como tratou vergonhosamente os professores, como tentou atacar a magistratura, como não protegeu devidamente os médicos,

como desacreditou sindicatos e desvalorizou as exigências dos trabalhadores,

culpam-no.

Jornais e televisões -muitas vezes ou quase sempre à procura do ‘sensacional’, outras vezes por razões inconfessáveis- ajudaram, superlativamente, a compor o pacote da desgraça anunciada.

E a incultura cívica do país aceitou e cozinhou, irresponsavelmente, a receita.

Uma receita vazia, que nada sugere capaz de colmatar o buraco em que nos enterramos.

É muito grave: é a democracia que está em perigo.

Sem comentários:

Enviar um comentário