Ermida de Nossa Senhora do Mileu: procurei, procurei e não encontrei fotografia melhor... no entanto, ela diz tudo, se a imaginarmos sitiada pelo betão e pelos camiões, em breve asmática, a sufocar, com o fumo e o fedor do gasóleo...De cada vez que revisito a Guarda, ao subir da Estação para a cidade, aperta-se-me a alma.
E, agora, há dois dias, aconteceu-me outra vez: à minha direita, cercada pelo betão e... por uma estação de serviços aos automobilistas e camionistas, lá estava, sozinha, calada, esquecida, abandonada, a Ermida de Nossa Senhora do Mileu –diz, no Guia de Portugal, Sant’Ana Dionísio: “Um dos exemplares de mais recuada idade da arquitectura românica da província”; e acrescenta: “interessante e humilde eremitério”.
Será humilde; mais bonito nunca vi.
Dói-me o coração, ligado à maravilhosa capelinha, desde a infância; desde quando a Guarda ainda não sofrera o assalto dos bárbaros, dos patos-bravos construtores civis, da inconsciência de autarcas analfabetos, de corruptos consentidos e incontrolados...
Ah!, se fosse só a Ermida do Mileu! A Guarda sofre de chagas de urbanismo criminoso (incurável?) em muitos sítios –em sítios a mais!
A capelinha, a Ermida de Nossa Senhora do Mileu é a denúncia gritante, o emblema dos assassinos ainda (?) à solta.
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