Aqueloutro
O dúbio mascarado, o
mentiroso
Afinal, que passou na
vida incógnito;
O Rei-lua postiço, o
falso atónito;
Bem no fundo o covarde
rigoroso…
Em vez de Pajem bobo
presunçoso…
Sua alma de neve asco
de um vómito…
Seu ânimo cantado como
indómito
Um lacaio invertido e
pressuroso
O sem nervos nem ânsia,
o papa-açorda…
(Seu coração talvez movido
a corda)
Apesar dos seus berros
ao Ideal,
O corrido, o raimoso, o
desleal,
O balofo arrotando
Império astral,
O mago sem condão, o
Esfinge Gorda…
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Eram os últimos versos,
que antecederam de pouco o suicido brutal.
“Daqui a vinte anos a
minha literatura talvez se entenda”, escreveu o poeta.
E acertou: em 1936, já
a revista presença o arrancara ao esquecimento. E são de João Gaspar Simões,
um dos directores de presença, estas palavras, publicadas no magistral Prefácio
a Poesias, de Mário de Sá-Carneiro (Ática Editora, Lisboa):
“Vai precipitar-se a
crise. O homem que afronta a morte é um homem: Sá-Carneiro desce, pois, ao
plano da vida, por estar prestes a fechar-se no seu quarto de Paris, de smoking vestido, pronto para a viagem derradeira. Morre em beleza, já que em beleza não
pôde viver. Sim: o destino do verdadeiro artista é incompatível com o destino
do mundo. Nas últimas horas -os seus últimos poemas são das últimas horas-
põe-se a falar de si mesmo com aquele cinismo, aquele desprezo, aquela altivez de
que só os grandes homens são capazes. Eis o último recurso dos génios num mundo
cada vez mais hostil aos artistas: o desprezarem a humanidade, desprezando-se a
si mesmos. Sá-Carneiro, grande poeta, grande artista, desprezou-se a si mesmo,
porque se transcendeu. Só os homens que se transcendem a si mesmos são dignos
de eterna glória.”

Olá,
ResponderEliminarParis, 26 de Abril de 1916, a data de falecimento...
(Não é necessário publicar este comentário, é só para alertar para a data errada).
Abraço.
Agora fiquei na dúvida se escrevi bem a data de falecimento: 26 de Abril de 1916. A data e o ano estão incorrectos, sob o desenho do Almada. Forte abraço, novamente.
ResponderEliminarCaro amigo André, Já está tudo corrigido:dia e ano. Bem haja pela ajuda!
ResponderEliminarAlmada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro dois portugueses que muito estimo.
ResponderEliminarBeijinho.