Jacques Rivière e Alain-Fournier
são duas personalidades muito importantes da Literatura francesa contemporânea.
O primeiro foi um
excelente crítico e um dos responsáveis pela revista-movimento La Nouvelle Revue
Française, que marcou a primeira metade do século XX.
O segundo escreveu uma obra-prima,
sobre a adolescência, Le Grand Meaulnes, clássico sempre procurado.
Mas não é das suas obras
que vou falar, nem da revista.
Encontrei, na
Correspondance Jacques Rivière/Alain-Fournier (Gallimard), em carta do
primeiro ao segundo, a seguinte frase:
“Não acho que o conhecimento
de um país, usando o caminho-de-ferro, seja tão insuficiente como dizem. A
passagem rápida, através de um vasto país, oferece a possibilidade de
entendermos o que nele se poderemos encontrar e de apreender o carácter geral
da região.” (9 de Stembro de 1909).
A passagem rápida,
diz Rivière!
Não é difícil imaginar
a velocidade dos comboios, há cem anos!
O que diriam, hoje,
Rivière e Alain.Founnier, diante do TGV, dos carros a 200 à hora… dos aviões,
que nos levam, num fechar de olhos, daqui ali…
E pergunto: o que nos
ensinam, realmente, as nossas viagens?
A semana passada nos
resort, algures na América-Latina ou na Oceania; os três dias em Marraquexe ou
em Roma, em Londres ou em Nova-Iorque; os cruzeiros em barcos monumentais,
iguais, por dentro, ao nosso quotidiano citadino; que nos trazem, além de mais
do mesmo: nomes, paisagens, que logo esquecemos e, à cautela, guardamos nas
máquinas fotográficas?…
O nosso tempo da
velocidade, da imagem fugaz, da corrida-fuga, é um tempo morto: decadente.
Paul Morand
adivinhava-o, quando, em 1941, publicou o profético romance L’Homme Pressé.

Amigo, Manuel Poppe
ResponderEliminarSubscrevo que temos "um tempo morto: decadente".É conceito que nos traz a palavra grega "cronos".Este tempo mata-nos em todos os sentidos.Leva-nos à nossa própria morte corporal. É uma chatice!
Parece-me que os gregos usavam uma outra palavra-kairós- para significar, o tempo certo, determinado,exacto,com um alcance mais escatológico que, afinal, era mais vivificante e optimista para a nossa condição humana. Será?
Interrogo-me e gostaria que, para nosso bem e da Humanidade,esse tempo exista e se torne possível. Um abraço
José Manuel, sim, decadente. Isto não é vida: é tempo perdido.
ResponderEliminarOs gregos sabiam muito.
E voltam a saber: recusam a "modernidade" do capitalismo financeiro e preferem ser pobres livres do que pobres roubados pela banca internacional.
Sempre os admirei e ainda os admiro mais,
O mundo ou muda ou acaba.
Acho que muda.
Um abraço.
Estamos num tempo que não escolhemos, mas dentro dele, individualmente, podemos fazer algumas escolhas, já que colectivamente é mais difícil. Procurar não desperdiçar o tempo no que não nos interessa. Gastá-lo no que gostamos, sempre que possível.Mas para isso é preciso muitas vezes ficar de fora do "grupo". Ser diferente paga-se com uma certa solidão.
ResponderEliminarLembrei-me duma história que circulava por aí, por mail. Do banqueiro e o Pescador.
Um beijinho