segunda-feira, 28 de maio de 2012

Arte e vida

Obra de Abel Salazar



“O artista ao criar uma obra de arte, não tem outra finalidade que não seja o próprio acto de criação; realiza-se nesse acto e, assim, no acto se resuma a finalidade da obra de arte.

Uma vez realizada, a obra de arte não mais interessa o artista; é um fruto maduro, que caíu.

Em realidade o artista não procura nem o Belo, nem o Sublime, nem o Real, nem qualquer outra finalidade estética; ele realiza-se, simplesmente. A criação de uma obra de arte é um acto vital, fundamentalmente em nada diferindo de qualquer outro acto vital. Ora a vida não tem outra finalidade que não seja o seu próprio acto de viver; a vida é, por sua própria natureza, construtiva, mas a finalidade da construção reduz-se ao próprio acto construtivo, exaure-se e termina nele.”


…e logo outro lhe sucede, porque cada deles pertence à mesma cadeia, ou nebulosa, vinda do início que nunca existiu porque dele não descobrimos sinais suficientes ou seguros, e continuando e repetindo-se através do infinito…, divago sobre essa passagem de “O que é a arte?”, de Abel Salazar (Arménio Amado Editor, Coimbra, 1940).


José Luís Porfírio cita-a e comenta-a, no excelente ensaio/apontamento, rico em inteligência e sensibilidade, Transparência e Opacidade (catálogo da exposição ‘Transparência Abel Salazar e o se tempo, um olhar’, Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto, Setembro/Novembro de 2010).


A identificação do acto de viver -do movimento incessante da vida, afirmação sempre renovada da vida- com o acto da criação artística é fascinante, abre a caixa de Pandora e precipita questões infinitas, também elas infinitas…, e inesgotáveis.


Logo à cabeça do primeiro capítulo do livro referido, escreveu Abel Salazar:


“Para definir Arte seria preciso definir Vida; o mesmo é dizer que é impossível definir Arte.”


E, agora, é contigo amigo; é convosco, amigos.

É connosco.

   

2 comentários:

  1. A pintura é bonita, com esse sol da tarde.

    Gostei de ler o post. É difícil definir Arte...

    Resta-me apreciá-la e senti-la.

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  2. Isabel, a Arte é a Arte, basta que goste. Um beijo.

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