terça-feira, 15 de maio de 2012

A vida viva


"La fanciulla del fiore", 1909, óleo de Gino Rossi


De quando em quando, retomo Origini dell’Arte Moderna a Venezia, de Guido Perocco (Editrice Canova, Treviso, 1972), que Aldo Zari me aconselhou, nos idos de 1892, e demoro-me nas cartas de Gino Rossi, tão amado pelo meu amigo que partiu.

Já aqui o disse, Rossi era um aventureiro, em permanente combate dentro da vida, sempre dura, e a  insatisfação levou-o a viajar e a buscar, em muitas partes, o absoluto que o obcecava.

A Bretanha foi um dos seus destinos, porque Gauguin foi uma das suas paixões.

Perocco, a propósito, escreve no livro que cito:

O ideal romântico de Gauguin, procurar na Bretanha um mundo novo, religiosamente ligado às forças criadoras da natureza, purificado dos males da sociedade e dos compromissos sufocadores da livre expressão artística, deve ter exercido um profundo fascínio sobre o jovem pintor [Gino Rossi]”.

Olhando em volta e auscultando o meu sentir, reencontro, ainda mais tragicamente destruído, o mundo artificial e estéril que Gauguin e Rossi rejeitaram.

'A menina da flor', que mostro acima, constitui uma homenagem de Rossi a Gauguin e um sinal: há mundos puros além deste mundo apodrecido em que nos deixamos triturar e despersonalizar.
  

2 comentários:

  1. Boa noite, querida amiga. Esse grupo de pintores a que pertenceu o Gino Rossi, os pintores de Burano, têm obras lindíssimas.

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