domingo, 6 de maio de 2012

As eleições presidenciais francesas: um dia que deve mudar a Europa

Uma União Europeia à procura da saída justa...

Por que o escrevo?

Em primeiro lugar, porque tudo indica que François Hollande, o candidato socialista, será o candidato eleito.

Em segundo lugar, porque nas suas intenções e no seu programa de governo, Hollande afirma querer ir ao invés da política que arruinou muitos países europeus -Irlanda, Grécia, Espanha, Portugal, Itália..., por exemplo...-, ir contra a política desregrada e interessada que ameaça atirar o “velho continente” para o caos político e económico.

Laurent Joffrin, na editorial do Le nouvel Observateur desta semana, explica o que nos aconteceu -e continua a acontecer-:

“Os valores da concorrência, do individualismo e do lucro, dominaram esta década do capitalismo, até à catástrofe de 2008 que só a intervenção das autoridades públicas conseguiu travar. E, na derrocada, os dogmas liberais falharam.”

Acrescenta:

“É tempo de dar outro suporte ao futuro das democracias ocidentais. É tempo de assentar o desenvolvimento da economia em valores mais justos.”

Ainda:

“É tempo de subordinar a economia de mercado às aspirações humanas”,

ou seja, digo eu: é tempo de recuperar o princípio fundamental da democracia: 


o humanismo que se coloca acima dos números e garante a liberdade, a igualdade e a fraternidade –que asseguram o Estado Social.

O nosso pequeno país, nas mãos de um governo anacrónico cuja política é o ultra-liberalismo desregrado, a defesa das classes privilegiadas, e a austeridade, quando, por toda a parte, a rejeitam, os cidadãos humilhados e espoliados, encontrarão, na escolha provável dos eleitores franceses um precioso ensino e, mais cedo ou mais tarde, o mais cedo possível!, recusarão políticos que lhes impõem regras letais e dinossaurianas.

François Hollande dixit:

“a austeridade não é o horizonte inultrapassável da reconstrução europeia,”

E o governo de Passos Coelho, arcaico e obtuso, já iniciou há muito, talvez desde o primeiro dia de péssimo governo.., o suicídio, o haraquíri, em que se estripa –e do qual não desejará participar nenhum português sensato.   
  

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