domingo, 26 de maio de 2013

Um romance que é um crime ignorar

Capa da 1ª edição, 1940

Sobre Pântano, escreveu Eduardo Lourenço, em Fevereiro de 2003 (Revisitar João Gaspar Simões, artigo publicado no suplemento Mil Folhas, Público, 1 de Março do mesmo ano):

“(…) é um dos mais belos romances de amor do passado meio século.”

Provavelmente; mas é, também, testemunho único de toda uma época –os anos 30.

João Gaspar Simões escreveu a obra em Lisboa, 1938-1939, e a saudosa e admirável Inquérito editou-a em 1940.

Pelas 289 páginas do romance, desfilam personalidades marcantes da nossa Cultura –e Gaspar Simões identificou-me algumas: Judite é Maria Helena Vieira da Silva; Levi, Mário Eloy; António Eusébio, António Navarro; José Acúrcio, José Bacelar; Aires Dias, José Osório d’Oliveira… e Juvenal, Gaspar Simões ele próprio…

E o leitor deparará ainda com a figura símbolo desse tempo pasmado: o mitificado intelectual da bica e da beata, da perna cruzada, eternamente à espera de nada, na velha Brasileira do Chiado: Gualdino Gomes…

Lisboa é a cidade onde, da segunda guerra iminente, chegam os refugiados de todas as cores; é a cidade adormecida -morta?-, bela, monótona, condenada ao silêncio: a ditadura salazarista policia-a, Franco venceu em Espanha, Hitler e Mussolini precipitam a matança sem fim… nazismo, fascismo, totalitarismo, triunfam.

E um grupo de pessoas, com sonhos e ambições, revolta-se entre muros inexpugnáveis, discute, debate, ama…

Mais uma vez, amigo, te aconselho a leitura de Pântano –e, consequentemente, a da vastíssima  obra de João Gaspar Simões, nome grande da nossa Literatura.

2 comentários:

  1. Sei que é uma falha grave, mas este ainda não li. Mas ando a ler Retrato de Poetas que Conheci, que recomendo vivamente a quem ainda não leu!

    Um beijinho.:))

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