sexta-feira, 31 de maio de 2013

Ainda a mestria de Herberto Helder


"Lua cheia no rio Dniepr", óleo de Arkhip Kuindji


presumir não das grandes partes da noite mas entre elas apenas de uma risca 
de luz

alguém lhe chamaria

plausível?

por um lado vem a noite das águas,

pelo outro vem o dia das colinas e das matas bravas:

e na luz suposta ao meio, alta, sumptuosa,

morro da sua risca exacta,

ou morro da minha vida nenhuma

ah quem tem o tempo todo para vivê-lo e morrê-lo

assim:

turvo no rosto e nas mãos através

do mais limpo do mundo?


Herberto Helder in Servidões, Assírio & Alvim, 2013

p.s. segundo me informou quem sabe, este livro está já esgotado em Lisboa, no Porto, em Coimbra e... na própria editora

2 comentários:

  1. Lindíssimo.
    Beijinho e obrigada pela partilha. :)

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  2. O que prova que o português afinal não é parvo!!!! Quando lhe dão coisas boas, ele gosta de as ler...
    Há para aí mais quem queira escrever coisas boas????

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