Capa da 1ª edição, 1940
Sobre Pântano, escreveu Eduardo Lourenço, em
Fevereiro de 2003 (Revisitar João Gaspar
Simões, artigo publicado no suplemento Mil
Folhas, Público, 1 de Março
do mesmo ano):
“(…)
é um dos mais belos romances de amor do passado meio século.”
Provavelmente; mas é,
também, testemunho único de toda uma época –os anos 30.
João Gaspar Simões
escreveu a obra em Lisboa, 1938-1939, e a saudosa e admirável Inquérito editou-a em 1940.
Pelas 289 páginas do
romance, desfilam personalidades marcantes da nossa Cultura –e Gaspar Simões
identificou-me algumas: Judite é Maria Helena Vieira da Silva; Levi, Mário
Eloy; António Eusébio, António Navarro; José Acúrcio, José Bacelar; Aires Dias,
José Osório d’Oliveira… e Juvenal, Gaspar Simões ele próprio…
E o leitor deparará
ainda com a figura símbolo desse tempo pasmado: o mitificado intelectual da bica e da beata, da perna
cruzada, eternamente à espera de nada, na velha Brasileira do Chiado: Gualdino Gomes…
Lisboa é a cidade onde,
da segunda guerra iminente, chegam os refugiados de todas as cores; é a cidade
adormecida -morta?-, bela, monótona, condenada ao silêncio: a ditadura salazarista
policia-a, Franco venceu em Espanha, Hitler e Mussolini precipitam a matança
sem fim… nazismo, fascismo, totalitarismo, triunfam.
E um grupo de pessoas,
com sonhos e ambições, revolta-se entre muros inexpugnáveis, discute, debate,
ama…
Mais uma vez, amigo, te
aconselho a leitura de Pântano –e,
consequentemente, a da vastíssima obra
de João Gaspar Simões, nome grande da nossa Literatura.

Sei que é uma falha grave, mas este ainda não li. Mas ando a ler Retrato de Poetas que Conheci, que recomendo vivamente a quem ainda não leu!
ResponderEliminarUm beijinho.:))
Um belo livro, sem dúvida!
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