"A prisão de Cristo", 1600, óleo de El Greco
A
Um Crucifixo
Há mil anos, bom
Cristo, ergueste os magros braços
E clamaste da cruz: há
Deus! e olhaste, ó crente,
O horizonte futuro e
viste, em tua mente,
Um alvor ideal banhar
esses espaços!
Porque morreu sem eco o
eco dos teus passos,
E de tua palavra (ó
Verbo!) o som fremente?
Morreste… ah! dorme em
paz! não volvas, que descrente
Arrojarás de novo à
campa os membros lassos…
Agora, como então, na
mesma terra erma,
A mesma humanidade é
sempre a mesma enferma,
Sob o mesmo ermo Céu,
frio como um sudário…
E agora, como então,
viras o mundo exangue,
E ouviras perguntar -de
que serviu o sangue
Com que regaste, ó
Cristo, as urzes do Calvário?-
Antero de Quental in Odes Modernas, Imprensa da Universidade,
Nova Edição conforme à 2ª edição, Coimbra, 1926

Lindo soneto!
ResponderEliminarPobre humanidade, sempre a mesma, sempre frágil, sempre sob o céu indiferente...
"A mesma humanidade é sempre a mesma enferma,
Sob o mesmo ermo Céu, frio como um sudário…"