quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Um país sem saída?

"Pátio da prisão", 1890, óleo de Vincent Van Gogh


Em 27 de Maio de 1871, Antero de Quental proferiu estas palavras, compreendidas no ciclo das Conferências do Casino, que tiveram lugar no edifício do Casino Lisbonense, ao largo da Abegoaria, hoje de Bordalo Pinheiro, cujo texto, organizado a partir de apontamentos de Antero, que este não leu, improvisando a partir das notas, foi publicado, à altura, por José Fontana; substituída, ou sugerida uma palavra, a voz de Antero soa actualíssima:

“Essa aristocracia [plutocracia], como um embaraço na circulação do corpo social, impede a elevação de um elemento (…), a classe média, e contraria assim todos os progressos ligados a essa elevação. Por isso decai também a vida económica: a produção decresce, a agricultura recua, estagna-se o comércio, deperecem uma por uma as indústrias nacionais; a riqueza, uma riqueza faustosa e estéril, concentra-se em alguns pontos excepcionais, enquanto a miséria se alarga pelo resto do país; a população dizimada (…) pela emigração, pela miséria, diminui de uma maneira assustadora.”

In Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, Guimarães Editores, 2001, Lisboa  

2 comentários:

  1. Comprei esse livrinho há tempos. Ainda não o li, mas sei que continua muito actual, infelizmente.

    A pintura que escolheu transmite uma sensação aflitiva. Um beco sem saída, com todos a andar à roda, num espaço limitado. Apenas a um pequeno passo da loucura. É aflitivo.

    Boa noite!

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  2. Actualíssima, sem dúvida!!
    É o que se está a verificar nos dias de hoje.

    É o resultado de políticas executadas por pessoas sem escrúpulos!

    Um beijinho, Manuel Poppe.:))

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