Deixai no Piazzale Roma
ó vós que entrais na
cidade
rodar rápido de rodas
monotonias de asfalto!
Cegai os olhos
eléctricos!
Calai os gritos
metálicos!
Lá onde ireis inda soam
os ecos dos vossos
passos
e o relógio marca o
tempo
plo fluir lento das
águas
Lá onde ireis guarda a
noite
a sombra aos amores
covardes
e o silêncio esparso
espera
um coração deslumbrado
Correi aos cais da
chegada
quando o sol vai no
ocaso
e as mágicas mãos de
Midas
tocam torres e terraços
Embarcai no vaporeto
que outrora foi
Bucentauro
trocadas as pompas d’oiro
plu sujo convés das
malas
e a escravatura dos
remos
plo fresco vigor dos
aços
Tirai do dedo a
lembrança
do bento anel nupcial
Lançai-o às águas
errantes
prá boda se consumar
(…)
António Manuel Couto
Viana de Poeta em Veneza in Uma Vez Uma Voz, Editorial Verbo, Lisboa,
1885

Lindíssimo. Mal passe esta fase crítica irei a Veneza.
ResponderEliminarItália um país que deixa saudades...:)
E vá no mês de Novembro, Ana, estará ao abrigo da terrível vaga turística.
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