sábado, 19 de janeiro de 2013

A viagem necessária

"Crepúsculo em Veneza", Claude Monet


Deixai no Piazzale Roma
ó vós que entrais na cidade
rodar rápido de rodas
monotonias de asfalto!
Cegai os olhos eléctricos!
Calai os gritos metálicos!
Lá onde ireis inda soam
os ecos dos vossos passos
e o relógio marca o tempo
plo fluir lento das águas
Lá onde ireis guarda a noite
a sombra aos amores covardes
e o silêncio esparso espera
um coração deslumbrado
Correi aos cais da chegada
quando o sol vai no ocaso
e as mágicas mãos de Midas
tocam torres e terraços
Embarcai no vaporeto
que outrora foi Bucentauro
trocadas as pompas d’oiro
plu sujo convés das malas
e a escravatura dos remos
plo fresco vigor dos aços
Tirai do dedo a lembrança
do bento anel nupcial
Lançai-o às águas errantes
prá boda se consumar

(…)

António Manuel Couto Viana de Poeta em Veneza in Uma Vez Uma Voz, Editorial Verbo, Lisboa, 1885  



2 comentários:

  1. Lindíssimo. Mal passe esta fase crítica irei a Veneza.
    Itália um país que deixa saudades...:)

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  2. E vá no mês de Novembro, Ana, estará ao abrigo da terrível vaga turística.

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