"Um concerto de amadores", 1882, óleo de Columbano Bordalo Pinheiro, no Museu do Chiado
“No
princípio da sua vida expôs em Lisboa aquele extraordinário Concerto, que hoje está no Museu de Arte
Contemporânea, e que já tinha sido admitido no Salon de Paris. Pois apesar disso foi recusado e colocado na parede dos
recusados, e a indignação atingiu o auge. O Atouguia, director das Belas-Artes,
exclamava, de braços cruzados, diante dele:
-Então
isto é coisa que se faça?!
(…)
“O
pintor Loureiro (1), seu camarada e amigo, resolveu:
-Tens
de expor no Salão um grande quadro.
-Nem
dinheiro tenho para a tela.
Foi
o Loureiro que pediu quatro libras ao Martel, que vivia em Paris casado com uma
francesa, e Columbano fez o Concerto, servindo-lhes a Senhora D. Maria Augusta
(2) e o Loureiro de modelos.”
Raul Brandão in III Volume de Memórias, Seara Nova, 1933, Lisboa
(1) Artur José de Sousa Loureiro (1853-1932)
(2) irmã de Columbano
(Não identifiquei o citado Martel e agradeço a quem
saiba que me diga.)

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