Antero de Quental por Columbano
“Pátio do Martel. Um
cantinho com uma figueira e malvaíscos. Uma fiada de casas e no extremo o
atelier de Columbano. Por trás a quinta. O mestre, pobre e obstinado, fez ali
os seus melhores retratos.*** (…) Por ali passaram também os maiores homens de
Portugal, de quem Columbano às vezes fala (…).
Um dia o Columbano
ouviu bater à porta, e entrou-lhe no atelier um homem já cansado, de grossos
sapatões, apegado a uma bengala, que parecia um bordão de pedinte:
-Disseram-me que
gostava de fazer o meu retrato e aqui estou.
Era o Antero. Parecia
um cavador, de meias grossas de lã azul –mas quando falava!... Nunca olhou para
o retrato.
-Está pronto?
Foi-se embora como
viera…”
Raúl Brandão in Memórias,
1º volume, pp. 117, 118, Edição da “Renascença Portuguesa”, Porto, 1919
Dois retratos maravilhosos de Antero!
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