quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Raul Brandão: Columbano e Antero

Antero de Quental por Columbano

“Pátio do Martel. Um cantinho com uma figueira e malvaíscos. Uma fiada de casas e no extremo o atelier de Columbano. Por trás a quinta. O mestre, pobre e obstinado, fez ali os seus melhores retratos.*** (…) Por ali passaram também os maiores homens de Portugal, de quem Columbano às vezes fala (…).

Um dia o Columbano ouviu bater à porta, e entrou-lhe no atelier um homem já cansado, de grossos sapatões, apegado a uma bengala, que parecia um bordão de pedinte:

-Disseram-me que gostava de fazer o meu retrato e aqui estou.

Era o Antero. Parecia um cavador, de meias grossas de lã azul –mas quando falava!... Nunca olhou para o retrato.

-Está pronto?

Foi-se embora como viera…”

Raúl Brandão in Memórias, 1º volume, pp. 117, 118, Edição da “Renascença Portuguesa”, Porto, 1919 



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