segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Amor, loucura, poesia...


Óleo de Claude Monet, 1873


Pétala de Rosa

Pétala de rosa! Olha
Do velho poeta, não rias;
Guarda-a na folha
Do livro que se lê todos os dias.

Amor, não o sacies,
Não venhas a perdê-lo;
Põe pelo sinal um fio de cabelo
Na carta que me envies.

Foges-me da vida:
E na menina dos olhos,
Achada ou perdida,
Ali sempre te encontre, de sonho vestida.

Que importa o sol tão alto,
Que dê a luz do dia?
O sonho, seja irmão da loucura,
É o que dá poesia.

Afonso Duarte in O anjo da morte e outros poemas, Obra Poética de Afonso Duarte, Iniciativas Editoriais, Lisboa, 1956 (em apêndice, um estudo de Carlos de Oliveira e João José Cochofel, Afonso Duarte e a sua obra, Apontamentos biobibliográficos, tiragem de 600 exemplares)

Nota: dada a dificuldade em encontrar não só esse volume como, também, as obras de Afonso Duarte, aconselho-te o excelente Afonso Duarte, Obra Poética, Introdução, fixação do texto, registo de variantes e apêndice de José Carlos Seabra Pereira, Imprensa Nacional/Casa da Moeda, Lisboa, 2008.

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