quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Em doloroso tempo de mudança

Não há razão nenhuma para não acreditares que podes construir uma vida digna: depende de ti...


Nada ficará como estava e, certamente, não se recomporá a sociedade segundo os desejos daqueles que insistem em reconstruir e consolidar quanto nos atirou para a voragem inumana do presente.

Certamente, o capitalismo financeiro cederá o lugar a uma sociedade menos injusta.

Pois é, amigo –sou um optimista.

Mas o meu optimismo-esperança reforça-o a agonia evidente do sistema que levou o mundo a este descalabro e a esta sangria.

Basta olhar a Europa, a América.

Vivemos tempo infectado –e as doenças têm de curar-se.

Nos finais do século XIX, Antero de Quental apontava a urgência de uma “transformação social, moral e política dos povos.”

A transformação aconteceu –pouco a pouco e aos soluços, construiu-se sobre erros e reacções brutais, entre outras, o fascismo e o nazismo da primeira metade do século XX.

Venceram-se o fascismo e o nazismo, mas o totalitarismo, agora com o rabo sentado no cifrão, foi voltando, foi-se insinuando, lançou o mundo na pobreza, na miséria, na fome.

Fez o nosso dia-a-dia e cobriu-te de angústia, o medo remexeu a tua alma e quis-te abúlico e desesperado.

E não desiste, não desistiu.

Ora lê (e pensa em Portugal):

“Desgraçadamente, os nossos dirigentes estão completamente ultrapassados, incapazes, hoje, de apresentar um diagnóstico justo da situação e incapazes de trazer soluções concretas e à altura do problema. Tudo se passa como se uma pequena oligarquia, preocupada apenas com o seu futuro imediato, nos comandasse.” (Manifesto Roosevelt***)

Na verdade, ao procurarem apagar o fogo, à custa de milhões de pessoas, vão enterrando a faca em si próprios e, ratos que são de um navio a naufragar, ao procurarem afogar-nos a nós, afogam-se a si próprios.

Subir à flor da água, salvar uma vida digna de ser vivida –depende de ti e do teu querer.

***http://www.roosevelt2012.fr/


2 comentários:

  1. Tão atual o Manifesto de Roosevelt!
    Manuel uma postagem interessante e pertinente. Gostei muito da fotografia.
    Viver dignamente depende de nós sim, mas não conseguimos mover montanhas...
    Beijinho.

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