domingo, 13 de janeiro de 2013

A saudade que não me pertence

Em 1938, uma jovem estudante...


Há anos, encontrei, num alfarrabista, o romance de Nuno de Montemor, A Paixão de Uma Religiosa, União Gráfica, Lisboa, s.d.

Do livro, encadernado em pano, (Encadernação da Gráfica, Torres Vedras), na página anterior ao título, consta:

“Liceu de Maria Amélia Vaz de Carvalho

Prémio concedido à aluna Maria Henriqueta Franco dos Santos da VII classe de Ciências por ter sido a mais classificada da sua turma no ano lectivo 1936-37

Em 22-VI-938

A Reitora”

E veio-me a nostalgia e a ternura –quem seria a rapariguinha e como se perdera a recordação?

Também veio a pena, quase um arrepio, a ideia, certa, de que depressa nos esquecem os que se cruzam connosco na breve vida.

…de que somos um acidente, um instante, um fogo-fátuo.

Comprei-o, guardei-o e resisti, até hoje, a desfazer-me dele –a matar aquele nome.

Deixo-vos a notícia –que cairá no esquecimento, tal qual a jovem aluna do Maria Amália se terá apagado no tempo.

6 comentários:

  1. Vinha escrever o mesmo que o comentador anterior: tão bonito!
    Um beijinho

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  2. Manuel,
    O seu texto e memória são arrepiantes.

    Não será de todo um acidente.

    Fogo-fátuo também não pois através dos livros é intemporal.

    Regozijemo-nos. :)

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  3. Isabel, a verdade é que não tenho coragem de me desfazer do livrinho... Assim, aquela rapariguinha continua viva.

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  4. Ana, foi um achado que me impressionou. Um abraço

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