

Decidi rever o filme de Jean Luc-Godard, ‘Pierrot le fou’, datado de 1965 (três anos antes do agitado Maio de 1968).
Na altura, escrevi um artigo para o extinto ‘Diário Popular’, cuja cópia andará por aí e irei procurar.
O que pretendia era compreender a razão por que me apaixonara a história que, na altura, vi e tornei a ver cinco vezes.
Interrogar-me: ainda tem cabimento, hoje?
Reencontrei o problema de viver num mundo superficial, convencional, estéril, que tende a castrar e absorver os jovens, despojá-los dos ideais, do sonho e de paixão.
A conjuntura modificou-se?
Certamente.
O canibalismo da sociedade refinou. A pessoa tem, hoje, mais dificuldades -muito mais dificuldade- em preservar e salvar a sua individualidade.
Em ser uma pessoa –na unicidade, singularidade, diferença.
A máquina monstruosa, que referiu Chaplin, em ‘Tempos Modernos’, o deserto envenenado, transformado em polvo sufocante –alargou: é quase todo o mundo.
Está quase em toda a parte.
É o quotidiano, em que, durante o breve tempo da juventude, gesticulamos e, depois, pouco a pouco, soçobramos.
Há 45 anos, matavam-se os homens, no Vietname e em muitos outros sítios; hoje, matam-se no Afeganistão e no Iraque.
As guerras de há 45 anos chocavam os heróis de Godard.
Para Pierrot, aliás Ferdinand, e Marianne Renoir, aliás e muito simplesmente Marianne, não tinham sentido.
Ofendiam a sua inocência: a candura da procura e do amor.
Na altura, escrevi um artigo para o extinto ‘Diário Popular’, cuja cópia andará por aí e irei procurar.
O que pretendia era compreender a razão por que me apaixonara a história que, na altura, vi e tornei a ver cinco vezes.
Interrogar-me: ainda tem cabimento, hoje?
Reencontrei o problema de viver num mundo superficial, convencional, estéril, que tende a castrar e absorver os jovens, despojá-los dos ideais, do sonho e de paixão.
A conjuntura modificou-se?
Certamente.
O canibalismo da sociedade refinou. A pessoa tem, hoje, mais dificuldades -muito mais dificuldade- em preservar e salvar a sua individualidade.
Em ser uma pessoa –na unicidade, singularidade, diferença.
A máquina monstruosa, que referiu Chaplin, em ‘Tempos Modernos’, o deserto envenenado, transformado em polvo sufocante –alargou: é quase todo o mundo.
Está quase em toda a parte.
É o quotidiano, em que, durante o breve tempo da juventude, gesticulamos e, depois, pouco a pouco, soçobramos.
Há 45 anos, matavam-se os homens, no Vietname e em muitos outros sítios; hoje, matam-se no Afeganistão e no Iraque.
As guerras de há 45 anos chocavam os heróis de Godard.
Para Pierrot, aliás Ferdinand, e Marianne Renoir, aliás e muito simplesmente Marianne, não tinham sentido.
Ofendiam a sua inocência: a candura da procura e do amor.
Escureciam os dias.
E constatavam que viviam no universo da gratuitidade –eles que buscavam uma vida com a autenticidade dentro
Senti, outra vez, grande pena de Pierrot e Marianne –e a vontade de os abraçar e proteger, solidário.
Hoje, muitos acabarão de morte macaca, tal qual Pierrot e Marianne –ou imbecilizados, tal qual a massa amorfa, formatada, obscena, de que Pierrot e Marianne tentaram fugir.
Haverá, porém, aqueles que recomeçarão e continuarão a luta para salvar o mundo e repudiar a hipocrisia.
Coisa que compete a todo o jovem que se respeita a si próprio e respeite os outros.
Senti, outra vez, grande pena de Pierrot e Marianne –e a vontade de os abraçar e proteger, solidário.
Hoje, muitos acabarão de morte macaca, tal qual Pierrot e Marianne –ou imbecilizados, tal qual a massa amorfa, formatada, obscena, de que Pierrot e Marianne tentaram fugir.
Haverá, porém, aqueles que recomeçarão e continuarão a luta para salvar o mundo e repudiar a hipocrisia.
Coisa que compete a todo o jovem que se respeita a si próprio e respeite os outros.
E compete a toda a pessoa que como tal se tenha.
Olá, Manuel,
ResponderEliminarParabéns por este belo comentário a respeito de 'Pierrot le Fou'! Este é um filme pelo qual tenho grande apreço. Eu, como jovem, sinto a necessidade da luta, da mudança, da fuga da hipocrisia que existe nas "masssas", naquilo que se toma por opinião pública e consensual.
Um grande abraço,
Rafaela.
É um excelente sinal, a sua "necessidade de luta, de mudança, da fuga à hipocrisia". Combata aquilo que corrompe.
ResponderEliminarE tenha presente o que disse Salinger (autor que lhe aconselho): "todos nós crescemos, mas a maioria de nós limita-se a envelhecer".
A envelhecer conformado, desistente...
Recuso isso! Não envelheça!!!
Cá a espero mais vezes. Um grande abraço!