
Obrigado, Redonda, quem é que não gosta que gostem daquilo que faz?
Esse contarelo -e uso o termo em elogio à grande Irene Lisboa, que o usou, também, num belo livrinho, ‘13 Contarelos’- ‘A Acácia Vermelha’ germinou-me dentro, durante os anos de África.
Os cinco anos que vivi, em São Tomé.
É uma história inventada, que ilustra um sentimento de perplexidade e revolta autêntico.
Da janela do meu gabinete de trabalho, no Centro Cultural Português, em São Tomé, cidade capital -assim lhe chamam os que lá vivem-, da janela que era toda uma parede, observei a passagem de centenas de alunos e alunas do liceu, alegres, confiantes, autênticos. Cheios de sonhos e ambições.
E doía-me saber que a vida deles não iria ser o que eles sonhavam, que lhes pesava sobre os ombros aquilo que ainda não haviam consciencializado: a tragédia africana.
África é um continente abandonado e aceito, pelos do primeiro mundo, como terceiro mundo a explorar: a sugar.
Eu vi o que nunca tinha visto: a injustiça, a brutalidade, a infâmia de existir o terceiro mundo. E a dificuldade que tem quem lá vive -o africano- em transformá-lo, recuperá-lo, salvá-lo.
E terceiro mundo quer dizer fome, vidas amputadas, fragilidade, humilhações e ofensas.
A Ednilza é um símbolo, o doutor, outro símbolo.
Ednilza é o passarinho de asas cortadas; o doutor é o europeu alheio à miséria, ao sofrimento do próximo, ao crime da indiferença e do neocolonialismo.
Que esse também eu observei.
O grande contraste que me chocou, em África -não conheci apenas São Tomé- está entre a pureza e a bondade do africano e a ganância desmesurada do europeu.
Como lhe disse, ‘A Acácia Vermelha’ cresceu cá dentro, foi-se impondo até que...
...até que, em Telavive -acabara de chegar a Israel-, num café da Ben-Yehuda, a escrevi de um jacto.
Depois, corrigi-a, tentei torná-la menos imperfeita.
O Valdemar Santos, há tempos, pediu-me que adaptasse ao teatro o contarelo –e, lá para Fevereiro de 2011, irá à cena.
Mudou bastante ‘A Acácia Vermelha’, juntam-se, à Ednilza e ao doutor, outras personagens...
Mas o diamante que iluminou a nova versão do suicídio-assassínio de Ednilza, esse é o que a Redonda leu e, generosamente, apreciou.
Esse contarelo -e uso o termo em elogio à grande Irene Lisboa, que o usou, também, num belo livrinho, ‘13 Contarelos’- ‘A Acácia Vermelha’ germinou-me dentro, durante os anos de África.
Os cinco anos que vivi, em São Tomé.
É uma história inventada, que ilustra um sentimento de perplexidade e revolta autêntico.
Da janela do meu gabinete de trabalho, no Centro Cultural Português, em São Tomé, cidade capital -assim lhe chamam os que lá vivem-, da janela que era toda uma parede, observei a passagem de centenas de alunos e alunas do liceu, alegres, confiantes, autênticos. Cheios de sonhos e ambições.
E doía-me saber que a vida deles não iria ser o que eles sonhavam, que lhes pesava sobre os ombros aquilo que ainda não haviam consciencializado: a tragédia africana.
África é um continente abandonado e aceito, pelos do primeiro mundo, como terceiro mundo a explorar: a sugar.
Eu vi o que nunca tinha visto: a injustiça, a brutalidade, a infâmia de existir o terceiro mundo. E a dificuldade que tem quem lá vive -o africano- em transformá-lo, recuperá-lo, salvá-lo.
E terceiro mundo quer dizer fome, vidas amputadas, fragilidade, humilhações e ofensas.
A Ednilza é um símbolo, o doutor, outro símbolo.
Ednilza é o passarinho de asas cortadas; o doutor é o europeu alheio à miséria, ao sofrimento do próximo, ao crime da indiferença e do neocolonialismo.
Que esse também eu observei.
O grande contraste que me chocou, em África -não conheci apenas São Tomé- está entre a pureza e a bondade do africano e a ganância desmesurada do europeu.
Como lhe disse, ‘A Acácia Vermelha’ cresceu cá dentro, foi-se impondo até que...
...até que, em Telavive -acabara de chegar a Israel-, num café da Ben-Yehuda, a escrevi de um jacto.
Depois, corrigi-a, tentei torná-la menos imperfeita.
O Valdemar Santos, há tempos, pediu-me que adaptasse ao teatro o contarelo –e, lá para Fevereiro de 2011, irá à cena.
Mudou bastante ‘A Acácia Vermelha’, juntam-se, à Ednilza e ao doutor, outras personagens...
Mas o diamante que iluminou a nova versão do suicídio-assassínio de Ednilza, esse é o que a Redonda leu e, generosamente, apreciou.
Muito obrigada pela sua resposta.
ResponderEliminarGábi