"Bailarico no bairro", 1936, óleo de Mário Eloy
…essa maneira desgraçada de não sermos nós…
…essa maneira desgraçada de não sermos nós…
de aceitarmos o maldito
fado, de esperarmos os milagres, de
renunciarmos…
de, para resolvermos o
problema da nossa agudíssima consciência da violência da vida e do silêncio de
Deus, do fantasma do absurdo, desprezarmos e diminuirmos os dias, virando as costas
à grandeza deles…
Afinal, esse modo
funesto de recusarmos assumir a aventura e o risco do milagre de estar vivo.
Quantas vezes isso me
revolta e desespera –porque sou português e nunca, em parte alguma, vi um povo
tão bom e assim louco e trágico, noivo do suicídio a cada hora.
Transcrevo as palavras
de Sebastião da Gama, no “Diário” (será
que vamos ouvi-las?):
“A
gente tem vergonha de beijar tudo, de amar as flores, de se enternecer com os
animais, de dar um passeio… Ó Portugueses, é tempo de torcer o pescoço ao
respeito humano! Olhai que nós somos bons e talvez seja verdade que somos
poetas –e isso não deve ser desprezado, mas antes manifestado. Começai a ser
sinceros, deixai de ser irónicos, e vereis como tudo corre melhor e a vida tem
outro sabor!”

A pintura é muito bonita e as palavras de Sebastião da Gama hoje deixam-me a pensar. Porque "Começar a ser sinceros", não significa ter que "torcer o pescoço ao respeito humano".
ResponderEliminarUm beijinho
Manel,
ResponderEliminarPartilho a sua revolta angustiada!
Um beijinho amigo
Luísa
Uma mensagem bem pertinente e com a qual estou inteiramente de acordo.
ResponderEliminarBons dias pela Guarda!:)
Agora, para a Isabel, também a mim me surpreendeu, mas entendo como recusar um excesso de medo de recusar aos outros a mentira. O respeito humano é absoluto; a mentira humana é um crime. Sebastião enganou-se, trocou as coisas, mas é perdoável num jovem apaixonado.
ResponderEliminarLuísa, é preciso dizer que não!
ResponderEliminarAna, amanhã é outro dia e depende de nós!
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