sexta-feira, 13 de julho de 2012

No 3º centenário de Jean-Jacques Rousseau (Genebra, 1712-

Jean-Jacques Rousseau


Capa da 1ª edição 


Se abrires o famoso Do contrato social ou os princípios do direito político (1762), talvez a obra mais citada de Jean-Jacques Rousseau, deparas, e logo nas primeiras linhas, com a seguinte afirmação:

“O homem nasce livre e, por toda a parte, o vemos algemado.”

Em plena crise cuja responsabilidade se divide indiscriminada e injustamente e todas as decisões se tomam e se executam à margem das nossas opiniões e vontades, sentimos a verdade das palavras do genebrino.

A sociedade que deixámos construir e, volente o nolente, ajudámos a desenvolver e a enraizar, é visceralmente opressiva, trituradora e formatadora, massificadora da personalidade individual.

Se a questão de ter ou não ter sentido a vida, o problema do absoluto, vem atravessando os séculos, nunca, como hoje, o modo de estarem os homens na terra foi tão tragicamente absurdo.

E nunca, como hoje, a moral, o espírito e a fundamental liberdade foram tão perseguidos e, sistematicamente, anulados.

O homem passou a ser um objecto –e quanto mais oco, mais inculto, mais incapaz, menos ameaçado de tortura…

O que é esta crise se não o resultado de um jogo neo-capitalista, em que fomos utilizados como bonifrates a que impuseram os caminhos, bonecos desalmados que usaram no monstruoso teatro da especulação e do roubo organizado?

Onde está a liberdade do homem?   

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