É hoje apresentado na
Biblioteca do Museu República e Resistência, Espaço Grandella, Estrada de
Benfica, nº 419, às 18h,30, o livro Raízes dos Judeus em Portugal, de Inácio Steinhardt,
editado pela Vega.
O tema é de extrema
pertinência: o judaísmo constitui elemento importantíssimo da formação da nossa
identidade e da nossa Cultura.
Inácio Steinhardt,
filho de judeus polacos, que em Portugal procuraram abrigo, em 1932, na sequência da instabilidade política e a adivinharem o alargamento das perseguições anti-semitas, Inácio Steinhardt, um judeu nascido entre nós, hoje a viver em Israel, evoca e descreve esse fenómeno -a presença judaica na Cultura portuguesa-,
magistralmente.
Quando o embate de religiões
agita o mundo e, esquecido o monstruoso crime do holocausto, o antissemitismo volta
às primeiras páginas, árabes e judeus se chocam violentamente (tantas vezes,
instrumentalizados por terceiros de péssima fé), aqui transcrevo, em breve
esquisso, notícias do que foi e poderia ser a relação inter-racial, ou
inter-religiosa:
“[perante a invasão
árabe da Península Ibérica] A população nativa ibero-romana, que havia
absorvido a cultura romana, e estava agora subjugada pelos germanos visigodos,
não criou oposição às tropa de Tariq: aproveitou para se vingar e em muitos
casos, juntou-se aos invasores.
Os judeus da Península
também não tinham, como vimos, razões para lastimar a derrota dos visigodos.
Com a chegada dos invasores muçulmanos, sentiram que não tinham que temer.
Fecharam-se em casa e aguardaram o desenvolver dos acontecimentos.
Iria iniciar-se agora,
na Península Ibérica, o longo período de soberania muçulmana que só terminaria
totalmente sete séculos mais tarde.
Obviamente o avanço das
tropas de Tariq para o norte implicava um desgaste muito rápido no número de
combatentes. Não eram só os que pereciam nas lutas, como também os que teriam
de permanecer para formar as guarnições de ocupação, em cada uma das cidades e
vilas tomadas. Os muçulmanos de Tariq recorreram então aos habitantes judeus,
para formarem essas guarnições, e, ao mesmo tempo, assegurarem a manutenção da
ordem e da administração local.
Nestas circunstâncias, o
facto dos judeus serem o único grupo de habitantes da Península isentos de
ambições territoriais, foi, para eles, uma vantagem. Assim, como eles não
tinham motivos para recear a invasão muçulmana, também os muçulmanos não tinham
receio de lhes confiar a guarnição das cidades conquistadas.”
…Para nossa infelicidade
e alegria da futura República dos Países Baixos, Holanda, D. Manuel I, em 1496,
seguiu o exemplo dos reis católicos, da vizinha Espanha, e expulsou os judeus
de Portugal… Mais argutos e generosos teriam sido os árabes…

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