sábado, 7 de julho de 2012

Ilya Repin: um génio mundial da pintura russa

"Menina pescadora", 1874, óleo de Ilya Repin (1844-1930), Irkutsk Art Museum, Oblast, Sibéria, Rússia

Tchekov considerava os impressionistas russos superiores aos franceses. Tchekov não era um tolo nacionalista, nem Repin é, exactamente um impressionista -mas atravessa a segunda metade do séc. XIX, que lança o impressionismo que, depois, continuará a afirmar-se no século XX, e neo-impresiomismo, lhe passaram a chamar. 


Obviamente, nenhum grande criador se pode classificar disto ou daquilo: ele é ele próprio. 


Repin, por exemplo, tem quadros expressionistas: o de Ivan, o Terrível, abraço ao filho, que acaba de ferir de morte... E o expressionismo, considerado como movimento e, logo, limitador, pertence ao séc. XX, 1905-1920. 


Em suma: Ilya Repin foi um génio da pintura e expressou-se conforme sentiu a necessidade de se expressar.

Nos primeiros anos deste novo séc.XXI, demorei-em, alguns meses, em Moscovo e encontrei, pela primeira vez, os grandes pintores russos, na Galeria Tretyakov, um lugar deslumbrante. Depois, voltei a conviver com eles, no Ermitage, em São Petersburgo.

Há meses, emprestei o magnífico catálogo da Tretyakov a uma jovem estudante de artes plásticas, que se prepara para fazer o mestrado em Inglaterra -o ramo que mais lhe interessa é a escultura-onde, aliás, já passou o tal ano do Erasmus, em Nottingham. Os russos foram, para ela, uma surpresa. Ainda bem.

Porque foram uma boa surpresa e só quem envelhece e se acomoda à vida medíocre é que perde o dom de se surpreender. Essa jovem escultora, portanto, ainda não começou a envelhecer... A arte a guarde! 


Mas este meu regresso a Repin e aos russos deve-se a uma conversa com o amigo Rogeiro Clemente, que me mandou dizer, a propósito de Repin: 


Já tinha aqui postado alguns quadros dele, o que me impressionou mais foi aquele que se intitula "Procissão religiosa em Kursk", está lá bem representada a alma do grande povo Russo. Gosto muito dos pintores da escola chamada "os itinerantes". 


A alma do grande povo russo... e como ela nos tocou sempre! Desde Gogol a Pasternak, de Tolstoi e Dostoievski a Tchekov e a Essenine...


Obrigado, Rogeiro!

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