O "mercado" universitário
por Manuel António Pina
Ontem fui atendido numa caixa de
supermercado por uma licenciada em Engenharia, área em que parece não faltar
emprego. O seu problema, explicou-me resignada, era a universidade que lhe
atribuíra o diploma...
Muitas escolas de
ensino superior privado são hoje apenas negócios (e sem departamentos de
pós-venda). Comercializam diplomas de "dr", de "mestre" e
de "doutor por extenso" como poderiam comercializar frutas ou
legumes.
Com uma diferença: o sector das frutas e legumes é mais fiscalizado e
os seus consumidores mais protegidos do que os do "sector" do ensino
superior.
As universidades
públicas, apesar do "salve-se quem puder" orçamental para que foram
empurradas, vão sobrevivendo ao naufrágio. E o mesmo se diga de algumas
universidades privadas, que mantêm cotação de exigência e rigor. (Uma sugestão
ao ME: já que o ensino superior é uma actividade empresarial
"liberalizada", por que não uma Bolsa de Valores Universitária?
Assim, os alunos saberiam o que compram ao matricular-se em certas
universidades. Um "outlet" para diplomas inúteis ou com defeito
também não seria má ideia.)
Há muita
hipocrisia em tudo isto. Porque não "liberaliza" o ME também os
cursos de Medicina? Talvez porque, parafraseando Harold Bloom a propósito da
política de quotas nos EUA, o ministro não queira ser um dia operado ao cérebro
por um turbolicenciado à bolonhesa ou por um mestre ou doutor
"equivalentes".
transcrito do Jornal de Notícias de hoje

Parabéns para Manuel António Pina.
ResponderEliminarÉ vergonhoso o que se passa com os homens que têm poder, poder para comprar os estudos. Por isso, o seu cérebro é tão pequeno, vai para a carteira e não para a cabeça.
Assim, andam os nossos governantes, tecnocratas, mangas de alpaca de um partido...
É melhor terminar por aqui.
Bom fim de semana!
O pior é a aculturação sistemática do país. Bom fim de semana, Ana e bem haja!
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