Giacomo Puccini
Elvira Bonturi Puccini
Puccini é uma das
minhas paixões.
Durante os quinze anos
que vivi em Itália, a peregrinação a
Torre del Lago -Puccini mandara construir a casa nessa freguesia de Viareggio, província
de Lucca- fascinava-me.
Ali chegava, munido dos
Toscano, as cigarrilhas preferidas de
Puccini -e de Ângelo de Sousa, a quem mandei muitas embalagens delas…- e da cassette (não existiam, ainda os CD), com trechos de árias de óperas
suas.
Romântico Puccini,
romântico eu…, e a lágrima ao canto do olho, fito no lago e a puxar fumaças dos
tais Toscano.
A visita à casa do
artista –onde o seu corpo dorme- não me atraiu especialmente; o importante era
ouvir “soave fancciula”, de La Bohème, ou passagens de Madame Butterfly, e perder-me dentro de
tudo aquilo, a memória do Mestre, a música, o lago… o sabor dos Toscano…
Homem de amor, homem
deslumbrado com a beleza feminina, Puccini foi marido infiel, preso, porém, à
casa de Torre del Lago, onde escreveu quase toda a sua obra e a esposa, Elvira
Bonturi***, o envolvia na paixão de que nunca desistira –e julgo que nem ele.
Giacomo Puccini nasceu
em Lucca e morreu em Bruxelas, vítima de um cancro da garganta. A deixar a vida,
apertou contra si a mulher que tantas vezes traíra e murmurou:
-Elvira, povera dona finita…
Era frágil? Um homem fácil? Aquilo que dizia escondia a vaidade
ou era verdadeiro arrependimento?
Quem sabe?
Deixava uma obra e ela
deverá responder a tudo.
André Gide escreveu: “Não existe obra d’arte sem a colaboração do
diabo”. ****
As aventuras passionais
de Giacomo Puccini deliciaram muita gente: espreita a nota que te deixo em
anexo.
Apenas má-língua, assim
ao modo das misérias que vendem certas revistas que por aí pululam? Curiosidade?
Marcel Proust não se
enganou, quando, a Saint-Beuve, célebre crítico da França do século XIX, sempre
preocupado com a biografia dos artistas, opôs que a verdade do artista
revela-se na sua obra –e em nada mais.
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*** Elvira Buntori (1860-1930) é outro “caso”. Quando Puccini a conhece, Elvira –alta, loira, inteligente, audaz, possessiva- era já uma mulher casada e mãe de dois filhos, Fosca e Renato. Tornam-se amantes e fogem, acabando por se instalarem em Torre del Lago. O casamento irá demorar e acontecerá em 1904. Um ano antes, contratam uma jovem empregada de dezasseis anos, Doria Manfredi. Três anos depois, o ciúme desvairado de Elvira provoca uma tragédia: convence-se da existência de uma relação Giacomo-Dora; atira-se a Dora, despede-a; calunia-a, enxovalha-a por toda a vila. A jovem, humilhada e ofendida, com poucas ou nenhumas defesas, desespera e suicida-se: engole três pastilhas de sublimado e morre cinco dias depois, 23 de Janeiro de 1907. A autópsia que a família exige revela a sua virgindade. O suicídio de Dora marcará Giacomo Puccini e, na ópera Turandot, Dora renasce na personagem de Liù.
Giacomo Puccini e Dora Manfredi
**** na última conferência sobre Dostoievski, Gide citou, várias vezes, Provérbios do Inferno, do poeta inglês Wiliam Blake, e acrescentou dois, da sua autoria: o já referido e este: “É com os bons sentimentos que se faz a má literatura”.
*** Elvira Buntori (1860-1930) é outro “caso”. Quando Puccini a conhece, Elvira –alta, loira, inteligente, audaz, possessiva- era já uma mulher casada e mãe de dois filhos, Fosca e Renato. Tornam-se amantes e fogem, acabando por se instalarem em Torre del Lago. O casamento irá demorar e acontecerá em 1904. Um ano antes, contratam uma jovem empregada de dezasseis anos, Doria Manfredi. Três anos depois, o ciúme desvairado de Elvira provoca uma tragédia: convence-se da existência de uma relação Giacomo-Dora; atira-se a Dora, despede-a; calunia-a, enxovalha-a por toda a vila. A jovem, humilhada e ofendida, com poucas ou nenhumas defesas, desespera e suicida-se: engole três pastilhas de sublimado e morre cinco dias depois, 23 de Janeiro de 1907. A autópsia que a família exige revela a sua virgindade. O suicídio de Dora marcará Giacomo Puccini e, na ópera Turandot, Dora renasce na personagem de Liù.
Giacomo Puccini e Dora Manfredi
**** na última conferência sobre Dostoievski, Gide citou, várias vezes, Provérbios do Inferno, do poeta inglês Wiliam Blake, e acrescentou dois, da sua autoria: o já referido e este: “É com os bons sentimentos que se faz a má literatura”.
Dos amores de Puccini:
http://www.independent.co.uk/arts-entertainment/classical/features/scandalissimo-puccinis-sex-life-exposed-859666.html






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