segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Torre del Lago, Giacomo Puccini


Torre del Lago



Casa de Puccini em Torre del Lago







Giacomo Puccini



Elvira Bonturi Puccini



Puccini é uma das minhas paixões.

Durante os quinze anos que vivi em Itália, a peregrinação a Torre del Lago -Puccini mandara construir a casa nessa freguesia de Viareggio, província de Lucca- fascinava-me.

Ali chegava, munido dos Toscano, as cigarrilhas preferidas de Puccini -e de Ângelo de Sousa, a quem mandei muitas embalagens delas…- e da cassette (não existiam, ainda os CD), com trechos de árias de óperas suas.

Romântico Puccini, romântico eu…, e a lágrima ao canto do olho, fito no lago e a puxar fumaças dos tais Toscano.

A visita à casa do artista –onde o seu corpo dorme- não me atraiu especialmente; o importante era ouvir “soave fancciula”, de La Bohème, ou passagens de Madame Butterfly, e perder-me dentro de tudo aquilo, a memória do Mestre, a música, o lago… o sabor dos Toscano…

Homem de amor, homem deslumbrado com a beleza feminina, Puccini foi marido infiel, preso, porém, à casa de Torre del Lago, onde escreveu quase toda a sua obra e a esposa, Elvira Bonturi***, o envolvia na paixão de que nunca desistira –e julgo que nem ele.

Giacomo Puccini nasceu em Lucca e morreu em Bruxelas, vítima de um cancro da garganta. A deixar a vida, apertou contra si a mulher que tantas vezes traíra e murmurou:

-Elvira, povera dona finita…

Era frágil? Um homem fácil? Aquilo que dizia escondia a vaidade ou era verdadeiro arrependimento?

Quem sabe?

Deixava uma obra e ela deverá responder a tudo.

André Gide escreveu: “Não existe obra d’arte sem a colaboração do diabo”. ****

As aventuras passionais de Giacomo Puccini deliciaram muita gente: espreita a nota que te deixo em anexo.

Apenas má-língua, assim ao modo das misérias que vendem certas revistas que por aí pululam? Curiosidade?

Marcel Proust não se enganou, quando, a Saint-Beuve, célebre crítico da França do século XIX, sempre preocupado com a biografia dos artistas, opôs que a verdade do artista revela-se na sua obra –e em  nada mais.

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*** Elvira Buntori (1860-1930) é outro “caso”. Quando Puccini a conhece, Elvira –alta, loira, inteligente, audaz, possessiva- era já uma mulher casada e mãe de dois filhos, Fosca e Renato. Tornam-se amantes e fogem, acabando por se instalarem em Torre del Lago. O casamento irá demorar e acontecerá em 1904. Um ano antes, contratam uma jovem empregada de dezasseis anos, Doria Manfredi. Três anos depois, o ciúme desvairado de Elvira provoca uma tragédia: convence-se da existência de uma relação Giacomo-Dora; atira-se a Dora, despede-a; calunia-a, enxovalha-a por toda a vila. A jovem, humilhada e ofendida, com poucas ou nenhumas defesas, desespera e suicida-se: engole três pastilhas de sublimado e morre cinco dias depois, 23 de Janeiro de 1907. A autópsia que a família exige revela a sua virgindade. O suicídio de Dora marcará Giacomo Puccini e, na ópera Turandot, Dora renasce na personagem de Liù.   



Giacomo Puccini e Dora Manfredi


**** na última conferência sobre Dostoievski, Gide citou, várias vezes, Provérbios do Inferno, do poeta inglês Wiliam Blake, e acrescentou dois, da sua autoria: o já referido e este: “É com os bons sentimentos que se faz a má literatura”.


  


Dos amores de Puccini:

http://www.independent.co.uk/arts-entertainment/classical/features/scandalissimo-puccinis-sex-life-exposed-859666.html

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