Fotografia de Lélo Fiaux (á direita), provavelmente tirada por Alberto Moravia, e fotografia de Alberto Moravia (à esquerda), provavelmente tirada por Lélo Fiaux. Roma 1934
"No Bar", s. d., obra de Lélo Fiaux
"Lettres d'amour à Lélo Fiaux", de René de Ceccaty, 2014, Editora ZOE, Paris
Lélo (Hélène) Fiaux e
Alberto Moravia dividiram um grande amor.
Lélo, pintora suíça,
era uma jovem mulher de personalidade forte e carácter independente; Moravia, um
escritor a lançar-se na fama, homem complicado, prepotente, melindroso, e
misógino talvez sem o saber (ainda que transpareça em vários dos seus
romances).
A ligação entre os dois
não suportou as contradições e durou pouco.
Mas deixou marcas no
escritor italiano.
De 1934, ano da
ruptura, até 1947, trocaram cartas, correspondência de que restam, apenas, as de
Moravia, agora editadas em França.
Estas linhas de uma
delas denuncia a intensidade com que tudo foi vivido:
“Um
dia hás-de agradecer-me, histórias como a nossa são raras na vida.”
Nem por isso as paixões
de ambos deixaram de acontecer com outros.
As de Moravia sempre
agitadas e difíceis, quando não infelizes, violentas; as de Lélo não sei.
Interessou-te a história? Compra o livro e lê-o –vale a pena.
Talvez prove que o instante
é, sempre, único e irrepetível.
Notas:
http://fr.wikipedia.org/wiki/L%C3%A9lo_Fiaux



Gosto muito de Moravia. Li alguns títulos.
ResponderEliminarA obra dela não conheço bem mas vou procurar.
Beijinho grato. :))
Ana, conheci bem o Moravia, em Roma, durante a minha longa estadia (eis a palavra que o Camilo me autoriza a usar, neste sentido; “estada” é horrível…). Era um homem egocentrista, misógino, ressentido. Não se pode dizer que fosse um mulherengo: ainda que precisasse delas, não as amava. Era masoquista: provocava a agressividade das mulheres com quem se relacionava e não reagia directamente –talvez reagisse cruel e veladamente. Penso, pressinto que terá sido Lélo Fiaux a cortar a relação dos dois. Conivência dele? Talvez. Mas, depois, de 1934 a 1947 -13 anos!- matraqueou-a com cartas. Elsa Morante foi outro caso. Não gosto da sua, dela, literatura e, quando a conheci, no retaurante “Campana”, bem perto da Via dei Portoghesi, era já uma mulher decadente e feia. Depois, vieram outras. Nunca senti necessidade de conviver com Moravia –e creio que foi recíproco. Tem, sem dúvida, páginas de muita qualidade.
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