Pier Paolo Pasolini dentro da vida
Decidira -e manterei- interromper Sobre o Outro Risco, durante os fins-de-semana. É, porém, este um dia especial, sagrado: o dia em que, há 39 anos, assassinaram Pazzolini.
Decidira -e manterei- interromper Sobre o Outro Risco, durante os fins-de-semana. É, porém, este um dia especial, sagrado: o dia em que, há 39 anos, assassinaram Pazzolini.
Ouvi a notícia em
casa do embaixador de Portugal, em Roma, Armando Martins Janeira, num encontro
de amigos.
Esse encontro juntava
três pessoas, o embaixador, o coronel Melo Antunes e eu.
Juntava amizade e preocupação política.
Mas tudo foi por água
abaixo, durante alguns minutos, e marcou, dentro de nós, o dia.
A Tv, aberta, à espera
não sei de que notícia, comunicou a pior: o crime que ceifara Pasolini.
Não recordo os
comentários mas foram, certamente, breves: a brutalidade da notícia não admitia
palavras de circunstância -sempre antipáticas- e as meditadas e medidas exigiam
tempo e frieza.
O pudor juntava-se a
isso.
Não, essa, a frieza,
não nos agarrou.
Qualquer de nós conhecia
a obra de Pasolini e admirava-a e respeitava-a.
Amigo, não ignoras o peso, a importância, de Pasolini, o seu permanente grito de liberdade, a sua denúncia imparável de uma sociedade comandada por corruptos.
Ora aí reside a razão
que levou os mandantes -até hoje desconhecidos- aliciar e pagar o adolescente
que assassinou Pasolini ou como tal se confessou.
Eu duvido, tu devidas,
milhões duvidam que seja verdade –mas a verdade mantém-se escondida.
Tal qual, e contra ventos e marés, se mantém bem
viva a riqueza de Pier Paolo Pasolini.
E a actualidade das
suas palavras.

Um dos meus escritores e cineastas dilectos (embora nunca tenha conseguido ver saló ou os 120 dias de sodoma até ao fim), os filmes Decameron, e Os Contos de Canterbury são fabulosos. Rapazes da Vida, Uma Vida Violenta, e Teorema são excelentes obras literárias. Falta-me ler-lhe a poesia, o teatro, e os ensaios.
ResponderEliminara diferença assusta quase sempre.
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