domingo, 2 de novembro de 2014

Há 39 anos era assassinado Pier Paolo Pasolini

Pier Paolo Pasolini dentro da vida

Decidira -e manterei- interromper Sobre o Outro Risco, durante os fins-de-semana. É, porém, este um dia especial, sagrado: o dia em que, há 39 anos, assassinaram Pazzolini.

Ouvi a notícia em casa do embaixador de Portugal, em Roma, Armando Martins Janeira, num encontro de amigos.

Esse encontro juntava três pessoas, o embaixador, o coronel Melo Antunes e eu. 

Juntava amizade e preocupação política.

Mas tudo foi por água abaixo, durante alguns minutos, e marcou, dentro de nós, o dia.

A Tv, aberta, à espera não sei de que notícia, comunicou a pior: o crime que ceifara Pasolini.

Não recordo os comentários mas foram, certamente, breves: a brutalidade da notícia não admitia palavras de circunstância -sempre antipáticas- e as meditadas e medidas exigiam tempo e frieza.

O pudor juntava-se a isso.

Não, essa, a frieza, não nos agarrou.

Qualquer de nós conhecia a obra de Pasolini e admirava-a e respeitava-a.

Amigo, não ignoras o peso, a importância, de Pasolini, o seu permanente grito de liberdade, a sua denúncia imparável de uma sociedade comandada por corruptos.

Ora aí reside a razão que levou os mandantes -até hoje desconhecidos- aliciar e pagar o adolescente que assassinou Pasolini ou como tal se confessou.

Eu duvido, tu devidas, milhões duvidam que seja verdade –mas a verdade mantém-se escondida.

Tal qual, e contra ventos e marés, se mantém bem viva a riqueza de Pier Paolo Pasolini.

E a actualidade das suas palavras.

2 comentários:

  1. Um dos meus escritores e cineastas dilectos (embora nunca tenha conseguido ver saló ou os 120 dias de sodoma até ao fim), os filmes Decameron, e Os Contos de Canterbury são fabulosos. Rapazes da Vida, Uma Vida Violenta, e Teorema são excelentes obras literárias. Falta-me ler-lhe a poesia, o teatro, e os ensaios.

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